Lugar interditado

Leonardo Motta Tavares

Resumo


As relações entre palavra e imagem, sempre escorregadias, são aqui trazidas em uma perspectiva de rompimento hierárquico, em que a combinação, via montagem, de fragmentos textuais e fotográficos aponta para uma narrativa de estilhaços. O fragmento e a citação são compreendidos em sua consonância com o próprio processo memorialístico: é necessário juntar peças, produzir sentidos terceiros a partir de justaposições, como na premissa da montagem dialética teorizada por Serguei Eisenstein. O uso de impressos sugere um vasculhar na materialidade da cultura visual, e a colagem é o procedimento que anuncia um gesto: recortar e reorganizar os rastros, em uma busca por sentidos que acenam ao processo de escavação arqueológica. A estrutura da página evoca a intenção mallarmaica da visão constelar do texto como semântica retroalimentada pelo legível e pelo visível.


Palavras-chave


Verbovisual; Montagem; Colagem

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Referências


EISENSTEIN, Sergei. A Forma do Filme. Tradução de Teresa Ottoni. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002.

MALLARMÉ, Stéphane. Un Coup De Dés Jamais N'Abolira Le Hasard. Paris: Gallimard, 1993.


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