Luanda, Lisboa, Paraíso: a cartografia da violência dos sujeitos da diáspora

Liz Maria Teles de Sá Almeida

Resumo


O trabalho pretende investigar na narrativa Luanda, Lisboa, Paraíso, da autora Djaimilia Pereira de Almeida, como são forjadas a Condition noire (Norman Ajari, 2019) e a exilience (Alexis Nouss, 2016) a que os dois protagonistas da obra estão submetidos a partir dos processos migratórios que experienciam. Em seus deslocamentos prolongados, Cartola e Aquiles performam uma existência solapada pela violência (simbólica/silenciosa) reservada aos corpos negros migrantes na Europa, que condiciona um modo de estar sui generis, e que é marcada pela incapacidade de pertencer, pela inviabilidade de fixar-se e sobremaneira, pela impossibilidade de retornar, conforme este artigo demonstrará à luz do referido texto narrativo. Essas objeções conduzem pai e filho a uma condição exílica degradante que pode ser definida como um estar no mundo “exilado(s) da própria existência” (MATA, 2019).


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DOI: https://doi.org/10.35520/mulemba.2021.v13nEsp.a51059

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