Das dores à loucura, da loucura à resistência
DOI:
https://doi.org/10.35520/mulemba.2025.v17n33e68899Resumo
O trabalho que se segue traz uma análise do episódio da louca do rio que está na obra O alegre canto da perdiz (2010), da moçambicana Paulina Chiziane. O objetivo principal do texto é perceber, por meio do episódio citado, as violências colonial e de gênero que incidem sobre a mulher negra de Moçambique. A louca do rio, Maria das Dores, invade a margem do rio Licungo que era exclusiva dos homens. Ela afronta a todos com sua nudez e seu sorriso. Não se deixa afetar pelas ameaças que a rondam. Por sua ousadia, é tomada como louca. As análises foram respaldadas em Ana Mafalda Leite que aponta a oralidade nos textos de Chiziane como forma de manutenção da cultura e de valores tradicionais de Moçambique; a entrevista de Paulina Chiziane concedida à Rosália Diogo na qual a autora fala da prática do lobolo. Ainda, destaca-se na análise a definição de loucura por Michel Foucault como resultado das relações sociais e de poder que incluem e excluem os que não se adequam às regras estabelecidas e a definição de violências simbólicas desenvolvidas por Pierre Bourdieu. Ao final do texto, conclui-se que, mesmo engendradas e gestadas por uma sucessão de violências, especialmente, a violência colonial e a violência de gênero, a mulher moçambicana segue resistindo e renovando valores e tradições culturais.
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