Das dores à loucura, da loucura à resistência

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DOI:

https://doi.org/10.35520/mulemba.2025.v17n33e68899

Resumo

O trabalho que se segue traz uma análise do episódio da louca do rio que está na obra O alegre canto da perdiz (2010), da moçambicana Paulina Chiziane. O objetivo principal do texto é perceber, por meio do episódio citado, as violências colonial e de gênero que incidem sobre a mulher negra de Moçambique. A louca do rio, Maria das Dores, invade a margem do rio Licungo que era exclusiva dos homens. Ela afronta a todos com sua nudez e seu sorriso. Não se deixa afetar pelas ameaças que a rondam. Por sua ousadia, é tomada como louca. As análises foram respaldadas em Ana Mafalda Leite que aponta a oralidade nos textos de Chiziane como forma de manutenção da cultura e de valores tradicionais de Moçambique; a entrevista de Paulina Chiziane concedida à Rosália Diogo na qual a autora fala da prática do lobolo. Ainda, destaca-se na análise a definição de loucura por Michel Foucault como resultado das relações sociais e de poder que incluem e excluem os que não se adequam às regras estabelecidas e a definição de violências simbólicas desenvolvidas por Pierre Bourdieu. Ao final do texto, conclui-se que, mesmo engendradas e gestadas por uma sucessão de violências, especialmente, a violência colonial e a violência de gênero, a mulher moçambicana segue resistindo e renovando valores e tradições culturais.

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Biografia do Autor

Érica Luciana de Souza Silva, Instituto Federal Fluminense

Possui doutorado em Letras: Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2021), mestrado em Letras: Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2014) e graduação em Abi - Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2005). É professora no Instituto Federal Fluminense, em Campos dos Goytacazes. Leciona a disciplina Educação em Relações Étnico-Raciais na pós-graduação stricto sensu, Mestrado Profissional em Ensino e suas Tecnologias e Estudos Culturais na pós-graduação lato sensu em Literatura, Memória Cultural e Sociedade, aonde também é coordenadora. Ambos os cursos são no IFF. Faz parte do grupo de pesquisa NECEL (Núcleo de Estudos Culturais, Estéticos e de Linguagem), do Instituto Federal Fluminense e do Grupo de Estudos Estéticas Diaspóricas (GEED). Faz parte da equipe de apoio do grupo Literafro: Portal da Literatura Afro-brasileira, pesquisas em rede. Em sua pesquisa de doutorado trabalhou com romances de Paulina Chiziane, escritora moçambicana, e, por meio deles, analisa os processos de violência contra a mulher. Para tanto, utiliza como base teórica Achille Mbembe, Ana Mafalda Leite, Bibi Bakare Yusuf, Chakravorty Gayatri Spivak, Édouard Glissant, Edward Said, Frantz Fanon, Laura Cavalcante Padilha, Oyèrónké Oyewùmi, Valentin Yves Mudimbe, Zilá Bernd, entre outros. No mestrado, dedicou-se a estudar a obra do escritor negro brasileiro Oswaldo de Camargo. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura afrodescendente brasileira, literatura portuguesa e literaturas africanas. Coordenou o projeto PIBIC no Instituto Federal Fluminense cujo título é "A busca de produções literárias, escritas e orais, de autoria negra e sua colocação no meio acadêmico, na rede de ensino e na produção de material didático".

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Publicado

2026-05-15

Edição

Seção

Ser mulher no período colonial, entre a vida e a escrita