EFETIVIDADE DOS PLANOS DE MANEJO: UM ESTUDO DE CASO COM ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS EM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO
Gestão de unidades de conservação no Espírito Santo
Abstract
A eficiência das unidades de conservação (UCs) na proteção da biodiversidade depende, em grande parte, da forma como essas áreas são geridas, e, no Brasil, essa gestão é orientada pelos planos de manejo (PMs). Um desafio atual consiste em avaliar se esses documentos identificam adequadamente ameaças prioritárias e orientam respostas efetivas, especialmente frente às espécies exóticas invasoras, reconhecidas como uma das principais causas de perda de biodiversidade. Neste estudo, avaliamos como as espécies exóticas invasoras (EEIs) são tratadas nos PMs das UCs do estado do Espírito Santo, utilizando cinco métricas: existência de PM para a UC, identificação das EEIs, descrição de impactos, existência de propostas de mitigação e ocorrência simultânea de descrição de impactos e de propostas de mitigação. Nós analisamos 69 UCs capixabas e verificamos que apenas 19 (27,5%) possuem PMs; destes, 16 (84,2%) mencionam EEIs, mas somente sete descrevem impactos e apresentam propostas específicas de manejo. Em termos absolutos, apenas sete (10,1%) das UCs dispõem de informações mínimas para orientar decisões frente às EEIs, sugerindo um descompasso entre o reconhecimento da ameaça e a capacidade de resposta institucional. Os resultados evidenciam que a escassez de informações biológicas básicas e a falta de padronização entre esferas administrativas limitam o potencial dos PMs como instrumentos operacionais de gestão ambiental.