A construção do ethos militar na modernidade
um estudo do jornal O soldado (1881)
DOI:
https://doi.org/10.61358/policromias.2025.v10nEspecial.71767Resumo
Este artigo analisa o periódico O Soldado (1881) como artefato discursivo decisivo na constituição do ethos militar durante o Segundo Reinado. A partir da leitura de números preservados na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional (1, 2, 35 e 36, de 1881), articulam-se história da imprensa, sociologia do poder e filosofia da modernidade. Demonstramos que a imprensa militar ultrapassou o papel informativo e assumiu funções pedagógicas e morais, convertendo a obediência hierárquica em racionalidade comunicativa. À luz de Habermas, de Foucault, de Elias, de Anderson e de Hobsbawm, evidencia-se que O Soldado operou como ponto de virada entre lealdade monárquica e consciência republicana, traduzindo ideais de disciplina, de ciência e de mérito em linguagem pública. O jornal aparece como lugar de memória e como monumento discursivo nos quais honra, mérito e técnica se entrelaçam como fundamentos de uma modernidade disciplinar. Ao transformar dever em verbo e verbo em poder, O Soldado aplica a palavra impressa como instrumento de legitimação e de autocrítica institucional. O conceito de palavra armada, formulado neste estudo, designa a fusão entre retórica e poder por meio da qual o Exército se reconhece como sujeito histórico e como sujeito moral, produzindo, pela escrita, a própria modernidade.
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