O viés conservador nos aportes da economia solidária e das políticas públicas

Mariana Costa Carvalho

Resumo


A discussão deste artigo aponta para a economia solidária como manifestação defensiva ao desemprego crônico numa perspectiva conservadora. A contextualização parte da crise do capital de 1970 que, para além das modificações nas relações econômicas e nas atribuições do Estado, impôs aos países um processo de reorganização do sistema ideológico e político de dominação. É nessa fase que situamos no Brasil, em meados de 1990, as condições materiais e objetivas para o surgimento das organizações do terceiro setor. Apontamos novas bases teóricas que, sob a perspectiva do conservadorismo contemporâneo, influenciam a composição das políticas públicas e da economia solidária, com destaque para a tese de Amartya Sen. Como pressupostos situamos a informalidade como expressão da questão social sob o comando da produção mercantil e, nessa direção, a relação existente entre as experiências brasileiras de economia solidária e a acumulação capitalista.

Palavras-chave


Reestruturação Produtiva. Financeirização. Economia Solidária. Política Social. Conservadorismo.

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