A CUT (1983-1988) como mediação particular na construção da consciência de classe

Alexandre Aranha Arbia

Resumo


A crise que se instaura no sindicalismo na última quadra do século passado (e no Brasil em 1990) coloca como questão o real papel dos sindicatos no processo da consciência de classe. Contra modismos teóricos que põem em xeque a condição do proletariado de superar o sociometabolismo vigente, este artigo pretende demonstrar, a partir da explicitação da essência do sindicalismo, seu papel no processo de consciência de classe. Buscando suas determinações essenciais fundamentais, argumentar-se-á que a natureza do sindicalismo encontra-se na particularidade, possibilitando aos trabalhadores singulares o primeiro e indispensável acesso às determinações universais da ordem burguesa. E, se em determinados períodos, o sindicalismo é dominado por certa consciência contingente, em outros revela sua plena potencialidade no processo de construção em-si e para-si da classe. Como claro exemplo deste segundo aspecto, encontramos a Central Única dos Trabalhadores nos idos de 1983 a 1988 – período em que se comportou como verdadeiro catalisador da consciência de classe no cenário nacional.

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Referências


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