Transgressores da Reificação: as contribuições de Lukács e Rubin

Fernando Leitão da Rocha Junior

Resumo


A análise contemporânea da sociedade burguesa, de cariz neoliberal-financeirizada, em nível mundial demonstra processos reificantes densamente cristalizados e hiperdimensionados das relações sociais em todas as esferas da vida. Entendemos que o momento atual exige um retorno, aos estudos de autores clássicos e pioneiros da tradição marxista: Gy¶rgy Lukács e Isaak Rubin tidos por muitos como messiânicos e malditos. O retorno às suas respectivas obras, ambas publicadas em 1923, História e Consciência de Classe e Ensaios sobre a Teoria Marxista do Valor fornecem elementos teórico-analíticos que concretamente possibilitam descortinar horizontes férteis indicando vestígios para uma compreensão substantiva dos atuais processos de reificação. A abordagem inédita, até então, sobre a reificação que constitui o núcleo central da problemática lukacsiana em sua referida obra continua relevante. Da mesma forma, o rigoroso e denso tratamento sobre a teoria do fetichismo e seus desdobramentos e nexos para uma efetiva compreensão sobre a teoria do Valor em Marx feito por Rubin, não são anacrônicos e sim atuais. Por isso, ao nosso juízo, reafirmamos que tanto a obra de Lukács como a de Rubin possuem chaves heurísticas de plena vigência que contribuem para descortinar caminhos que efetivamente possibilitem a descoisificação dos sujeitos e a desmercantilização da vida e do mundo.

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