Mudança curricular como estratégia de combate: ensinando historiografias da dança ao invés de história da dança

Autores

DOI:

https://doi.org/10.58786/rbed.2025.v4.n8.71716

Palavras-chave:

Ensino de história da dança, decolonial, pedagogia, HISTÓRIA DA DANÇA, historiografia

Resumo

Este texto se dedica a apresentar e debater as propostas de reformulação das disciplinas “História da Arte”, “História da Dança” e “História da Dança no Brasil” no currículo do curso de graduação em dança da Universidade Federal de Goiás, implementadas no ano de 2022. Para tanto, o processo considerou as revisões historiográficas promovidas na área da história como disciplina ao longo do século XX, a perspectiva de-colonial latino-americana e um diálogo contemporâneo com pessoas historiadoras dos estudos em dança. No processo, foi adotado o procedimento de revisão bibliográfica, mas também uma análise contextualizada e a proposição de uma metodologia mista para ocorrência de aulas relacionadas a conteúdos históricos que também promovessem processos historiográficos. Primeiro, o texto apresenta argumentos propositivos para repensar o ensino de história da dança e num segundo momento, apresenta as propostas teórico-práticas que orientaram a mudança do nome das disciplinas de “história” para “historiografias”.

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Biografia do Autor

Rafael Guarato, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, Brasil.

Historiador da dança e professor do curso de graduação em Dança e dos Programas de Pós-Graduação em Artes da Cena e Performances Culturais da Universidade Federal de Goiás (UFG). Doutor em Historia Cultural pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Líder do Grupo de Pesquisa em Memória e História da Dança (CNPq). Coordenador do Comitê Temático "Memórias e Devires em Linguagens de Dança" (2015-2016) e do Comitê Temático "Dança, memória e história" (2018-Atual) da Associação Nacional de Pesquisadores em Dança (ANDA). Integrante da Red Descentradxs (Descentrar la Investigación en Danza) que congrega grupos de pesquisa de 13 universidades de oito países (Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, França, Cuba, Costa Rica e México). Autor dos livros "Dança de rua: corpos para além do movimento" (2008) e "Ballet Stagium e a fabricação de um mito" (2019). Em 2010 foi premiado pela Fundação Bienal de São Paulo com seu estudo sobre Economia da Arte. Foi Conselheiro da cadeira de Dança no Conselho Municipal de Cultura de Uberlândia (2008-2009) e representante nacional eleito pelo Estado de Minas Gerais para compor o Colegiado Setorial de Dança do Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC/MINC - 2012-2014/2015-2017). Atuou como Membro do Conselho Deliberativo e Fiscal (2014/2016) e como Diretor (2016/2018) da Associação Nacional de Pesquisadores em Dança (ANDA). Editor da Sessão de Dança do periódico acadêmico Artes da Cena (Art in Stage) e foi Editor Convidado da Revista Investigaciones en Danza y Movimiento (2021). Além dos trabalhos textuais relacionados a história e historiografia da dança, também publica sobre economia da dança, meios de legitimação estética e redes sociais no campo da dança no Brasil. Diretor Artístico do Grupo Três em Cena (GO)

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Publicado

2026-02-02

Como Citar

GUARATO, Rafael. Mudança curricular como estratégia de combate: ensinando historiografias da dança ao invés de história da dança. Revista Brasileira de Estudos em Dança, [S. l.], v. 4, n. 8, p. 129–148, 2026. DOI: 10.58786/rbed.2025.v4.n8.71716. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/rbed/article/view/71716. Acesso em: 9 fev. 2026.