Desvelando vontades ocupacionais de pacientes internados em uma clínica de cuidados paliativos oncológicos/Unveling occupational wishes of in patients in an oncology palliative care clinic

Carla Raisa Silva Lima, Gisely Gabrieli Avelar Castro

Resumo


O câncer é uma doença crônica para qual o tratamento modificador do curso natural da doença não é uma alternativa possível em todos os casos, o que evidencia a necessidade de cuidados paliativos oncológicos. O Terapeuta Ocupacional é profissional integrante dessa filosofia de cuidados, podendo intervir desde o controle de sintomas até o aumento da independência e da autonomia, favorecendo também a manutenção de ocupações significativas no cotidiano do paciente e de seus familiares. Na perspectiva do Modelo de Ocupação Humana-MOH, as ocupações são percebidas como um comportamento humano de uso intencional do tempo para satisfazer impulsos internos e exigências sociais. Fundamentado no MOH, este estudo objetivou compreender as vontades ocupacionais de pessoas internadas nas Clínicas de Cuidados Paliativos Oncológicos(CCPO) e identificar quais valores atribuíam a estas ocupações. Trata-se de um estudo de caso múltiplo, de abordagem qualitativa, que foi realizado com quatro pessoas internadas nas Clínicas de Cuidados Paliativos Oncológicos do Hospital Ophir Loyola (Belém–PA) a partir dos seguintes instrumentos de pesquisa: entrevista inicial, utilização adaptada do Jogo “Cartas na mesa”, realização ocupacional e entrevista final com AS participantes. A análise do conteúdo desses instrumentos gerou duas categorias que permitiram descrever as vontades ocupacionais das participantes e o significado fornecido às vontades realizadas. Assim, almeja-se que este estudo possa ser construtor de novas reflexões acerca da temática das vontades ocupacionais de pessoas em cuidados paliativos, além de contribuir com estudos e intervenções no campo da Terapia Ocupacional na interface com o MOH.

 

Abstract

Cancer is a chronic disease for which disease-modifying treatment is not a possible alternative in all cases, which highlights the need for oncologic palliative care. The Occupational Therapist is a professional professional in this philosophy of care, may intervene from control of symptoms to increase independence and autonomy, also favoring the maintainment of personal care in the daily of the patient and their family. From the perspective of the Model of Human Occupation - MOHO, occupations are perceived as a human behavior of intentional use of time to satisfy internal impulses and social demands. Based on the MOHO, this study aimed to understand the occupational wills of people admitted to the Oncology Palliative Care Clinics (OPCC) and to identify which values they attributed to these occupations. This is a multiple case study with a qualitative approach, which was conducted with four people admitted to the Oncology Palliative Care Clinics of Hospital Ophir Loyola (Belém-PA) from the following research instruments: initial interview, adapted use of the "Letters on the table" game, occupational performance and final interview with the participants. The analysis of the content of these instruments generated two categories that allowed describing the occupational wills of the participants and the meaning provided to the wishes realized. Thus, it is intended that this study can build new reflections on the theme of occupational wills of people in palliative care, and contribute to studies and interventions in the field of Occupational Therapy in interface with MOHO.

Key words: Hospitalization; Palliative Care; Occupation; Model of Human Occupation.

 

Resumen

El cáncer es una enfermedad crónica para la cual el tratamiento modificador de la enfermedad no es una alternativa posible en todos los casos, lo que resalta la necesidad de cuidados paliativos oncológicos. El terapeuta ocupacional es un profesional en esta filosofía de atención médica, puede intervenir del control de los síntomas para aumentar la independencia y la autonomía, también favorece el mantenimiento de la atención personal en el diario del paciente y su familia. Desde la perspectiva del Modelo de Ocupación Humana - MOH, las ocupaciones se perciben como un comportamiento humano de uso intencional del tiempo para satisfacer los impulsos internos y las demandas sociales. Basado en el Ministerio de Salud, este estudio tuvo como objetivo comprender las voluntades laborales de las personas admitidas en las Clínicas de Cuidados Paliativos de Oncología (CCPO) e identificar qué valores atribuyeron a estas ocupaciones. Este es un estudio de caso múltiple con un enfoque cualitativo, que se llevó a cabo con cuatro personas ingresadas en las Clínicas de Cuidados Paliativos de Oncología del Hospital Ophir Loyola (Belém-PA) del siguiente instrumento de investigación: entrevista inicial, uso adaptado del Juego de "Cartas en la mesa", desempeño laboral y entrevista final con los participantes. El análisis del contenido de estos instrumentos generó dos categorías que permitieron describir las voluntades laborales de los participantes y el significado dado a los deseos realizados. Por lo tanto, se pretende que este estudio pueda construir nuevas reflexiones sobre el tema de las voluntades ocupacionales de las personas en cuidados paliativos y contribuir a los estudios e intervenciones en el campo de la Terapia Ocupacional en interfaz con el MOH.

Palabras clave: Hospitalización, Cuidados Paliativos, Ocupación, Modelo de Ocupación Humana.

 

 


Palavras-chave


Hospitalização; Cuidados Paliativos; Ocupação; Modelo de Ocupação Humana.

Texto completo:

PDF

Referências


OMS. Organização Mundial da Saúde. Câncer mata 8,8 milhões de pessoas anualmente no mundo. 2017. Disponível em: . Acesso em: 15 agosto 2017.

Gomes ALZ; Othero MB. Cuidados Paliativos. 2016. Disponível em: . Acesso em: 15 ago. 2017.

Daronco VF; Rosanelli CLSP; Loro MM; Kolankiewicz ACB.Cuidados paliativos a pacientes oncológicos: percepções de uma equipe de enfermagem. Cienc Cuid Saude.2014; 13 (4): 657 – 664.

Cardoso DH; Muniz RM; Schwartz E; Arrieira ICO. Cuidados paliativos na assistência hospitalar: a vivência de uma equipe multiprofissional. Contexto Enferm., Florianópolis.2013; 22 (9).

Othero MB. Terapia ocupacional – práticas em oncologia. São Paulo: Roca; 2010.

De Carlo MMRP; Kudo AM. Terapia Ocupacional em contextos hospitalares e cuidados paliativos. São Paulo: Editora Payá; 2018.

Medalosso FD; Mariotti MC. Terapia Ocupacional e qualidade de vida de pessoas com insuficiência renal crônica em hemodiálise. Cad. Ter. Ocup. UFSCar, São Carlos, v. 21, n. 3, p. 511-520, 2013.

Cruz DMC. Papéis ocupacionais e pessoas com deficiências físicas: independência, tecnologia assistiva e poder aquisitivo [tese]. São Carlos: Universidade Federal de São Carlos; 2012.

Polia AP; Castro DH. A lesão medular e suas sequelas de acordo com o modelo de ocupação humana. Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar. 2007; 15 (1): 19 – 29.

Kielhofner G. Model of Human Occupation. 4ª ed. Lippincott Williams & Wilkins; 2008.

Forsyth K; Keilhofner G. The Model of Human Occupation: Integrating theory into practice. 4ª ed. London; 2006.

Rocha FEC; Albuquerque FJB; Marcelino MQS; Dias MR; Pinheiro JQ. Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento: Aplicação da análise de conteúdo na perspectiva de Bardin em uma aproximação avaliativa do Pronaf-PB. Embrapa: 2008. Disponível em:. Acesso em: 23 set. 2017.

Peralva ELM. O confronto com a finitude na clínica hospitalar: da morte como limite à urgência da vida. Práxis e Formação UERJ. 2008; 1: 65-72.

Salazar V; Peruchi RC; Garrido T; Ferreira V; Donelli TMS. Desejos e planos de futuro de pacientes terminais: uma revisão de literatura. Psic., Saúde & Doenças, Lisboa. 2016: 17( 2).

Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Cuidado Paliativo. 2008.

Baiocchi O; Sachs A; Magalhães LP. Aspectos nutricionais em oncologia. Rio de Janeiro: Atheneu; 2018.

Reis CP; Coelho P. Significado da alimentação em Cuidados Paliativos. Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos. 2014: 1 (2): 14 – 22.

Florentino IM; Camargo MJG. Atividades de lazer no contexto hospitalar: uma estratégia de humanização. Revista Brasileira de Estudo e Lazer, Belo Horizonte, v. 2, n. 2, p. 99 – 114, 2015.

Venancio T. Desvendando os mecanismos do prazer de ouvir música. Cienc. Cult., São Paulo. 2014; 66 (3).

Silva GH; Piovesan JC. Música no ambiente hospitalar: uma possibilidade de proporcionar alegria e ludicidade na internação. Vivências, v. 14, n. 26, p. 206 – 219, maio/2018.

Oliveira APV; Roehrs MS; Gomes GC. A importância do acompanhante e da visita para o paciente internado no hospital universitário da FURG. 2009. Disponível em: . Acesso em: 27 dez 2018.

Ministério da Saúde (BR), Secretária de Atenção à Saúde. HumanizaSUS – Visita aberta e direito ao acompanhante. Brasília (DF). 2ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2008

Kovács MJ. Autonomia e o direito de morrer com dignidade. Bioética. 2009; 6 (1).

Reis CP. Suporte nutricional em cuidados paliativos. Revista Nutrícias, Porto. 2012; 15.

Bergold LB; Lima R; Alvin NAT. Encontro musical: estratégia de cuidado de enfermagem em quimioterapia para discutir adoecimento/morte. Revista Enfermagem UERJ, Rio de Janeiro. 2012; 20 (6).

Evangelista CB; Lopes MEL; Costa SFG; Batista PSS; Batista JBV; Oliveira AMM. Cuidados paliativos e espiritualidade: revisão integrativa da literatura. Rev BrasEnferm [Internet]. 2016; 69 (3).




DOI: https://doi.org/10.47222/2526-3544.rbto23332

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2019 Revista Interinstitucional Brasileira de Terapia Ocupacional - REVISBRATO



Indexado em:

   

           

   Resultado de imagem para REDIB