Saúde e redes vivas de cuidado integral na atenção básica: articulando ações estratégicas no território/Health and networks live of primary care: articulating strategic actions in the territory

Thayane Pereira da Silva Ferreira, Carmen Teresa Costa

Resumo


O estudo propõe um debate sobre o cuidado em saúde mental na atenção básica, partindo do entendimento de que a produção do cuidado se dá em redes, não apenas institucionais, mas redes vivas e de potência criativa. O percurso metodológico se deu por meio da cartografia, de modo que foi possível rastrear o território para além dos serviços de saúde. Como meio de produção de dados utilizaram-se os diários de campo produzidos na vigência de doze meses do projeto de extensão: Saúde Mental na atenção básica- desafio e necessidade, desenvolvido em uma unidade integrada de saúde da família de um município do estado da Paraíba. A vivência e atuação no território se deram inicialmente pelo mapeamento das redes de cuidado territoriais, como também a problematização das ações de cuidado na atenção básica, com o intuito de ampliar o debate sobre o papel das redes vivas no cuidado em saúde. Tal discussão possibilitou o desenvolvimento de ações em saúde pautadas na integralidade do cuidado, coesão social, produção de vida. Estes resultados apontam para a necessidade em se pensar ações compartilhadas e inseridas no território, tendo em vista que a saúde envolve também os territórios existenciais pelos quais os sujeitos circulam e produzem relações. A terapia ocupacional tem contribuído significativamente na consolidação deste cuidado.

 

The study proposes a debate on mental health care in primary care, based on the understanding that the production of care takes place in networks, not only institutional, but also living networks and creative power. The methodological approach was through the mapping, so it was possible to trace the territory beyond the health services. As a means of production, data field diaries were  produced in the presence of twelve months of the extension project: Mental Health in the primary care - challenge and need, developed in an integrated health unit family in a municipality of state of Paraíba. The experience and operation in the territory was given initially by mapping of care networks available in the territory, as well as the questioning of care actions in primary care, in order to broaden the debate on the role of living networks in health care. This discussion enabled the development of health actions based on integrality of care, social cohesion, production of life in primary care. These results point to the need to think about shared and embedded actions in the territory, with a view that health also involves the existential territories for which individuals circulate and produce relations. Occupational therapy has significantly contributed to the consolidation of territorial care.

Keywords: Comprehensive health care; Primary health care; Social network; Mental health, Occupational therapy.

 

El estudio propone un debate sobre el cuidado en salud mental en la atención básica, basado en el entendimiento de que la producción de la atención se lleva a cabo en las redes, no sólo institucional, sino redes vivas y con poder creativo. El enfoque metodológico fue a través de la medio de la cartografía, por lo que fue posible rastrear el territorio más allá de los servicios de salud. Como medio de producción de datos se utilizaron diarios de campo producidos en la vigencia de doce meses del proyecto de extensión: Salud Mental en la atención básica -  desafio y necesidad, desarrollado en una unidad de salud de la familia integrada un condado en el estado de Paraiba. La experiencia y las operaciones en el territorio fue dado inicialmente por el mapeo de las redes de atención disponibles en el territorio, así como el cuestionamiento de las acciones de atención en la atención primaria, con el fin de ampliar el debate sobre el papel de las redes vivas en el cuidado de la salud. Esta discusión permitió el desarrollo de las acciones de salud basados en la atención integral, la cohesión social, la producción de vida. Estos resultados apuntan a la necesidad de pensar acciones compartidas en el territorio, teniendo en cuenta que la salud involucra también los territorios existenciales por los cuales los sujetos circulan y producen relaciones. La terapia ocupacional ha contribuido significativamente en la consolidación de este cuidado.

Palabras clave: Asistencia integral de salud; Atención primaria de salud; Red social; Salud mental, Terapia ocupacional.


Palavras-chave


Assistência integral à saúde; Atenção primária à saúde; Rede social; Saúde mental; Terapia ocupacional.

Texto completo:

PDF

Referências


Brasil MS. Saúde Mental na Atenção Básica. Departamento de Atenção Básica, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. (Cadernos de Atenção Básica, n. 34) p. 176Brasília, 2013.

Muramoto MT., Mângia, EF. A sustentabilidade da vida cotidiana: um estudo das redes sociais de usuários de serviço de saúde mental no município de Santo André (SP, Brasil). Ciência & Saúde Coletiva, 16(4):2165-2177, 2011.

Merhy EE. As vistas do ponto de vista, tensão dos programas de saúde da família que pedem medidas. Acesso em: 19 de Agosto de 2016. Disponível em:http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/artigo_emerson_merhy.pdf. 2014.

Zambenedetti G, Silva RAN. A noção de rede nas reformas sanitária e psiquiátrica no Brasil. Psicologia em Revista, Belo Horizonte V.14.n.1 p.131-150, Junho, 2008.

Merhy EE, Gomes MPC, Silva E. Santos, MFL. Cruz, KT, FRANCO TB. Redes Vivas: Multiplicidades girando as existências. Revista Saúde em Debate, 2014.

Deleuze G, Guattari F. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. 1a ed. São Paulo: Editora 34; 1995. 96 p.

Mendes EV. As redes de atenção à saúde. Cienc Saude Colet. 2010; 15(5):297-305.

Cecilio LCO. Modelos tecno-assistenciais em Saúde: da Pirâmide Ao círculo, Uma possibilidade a explorada. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 13, n. 3, p. 469-478, setembro, 1997.

Merhy EE. Cuidado com o cuidado em saúde. Saiba explorar seus paradoxos para defender a vida. Campinas, 2004.

Merhy EE, Gomes MPC, Silva E, Santos MFL, Cruz KT, Franco TB. Redes Vivas: multiplicidades girando as existências, sinais da rua. Implicações para a produção do cuidado e a produção do conhecimento em saúde. Saúde para Debate. Rio de Janeiro, n. 52, p. 153-164, 2014.

Mangia EF, Muramoto MT. O estudo de redes sociais. Rev. Ter. Ocup. Univ. São Paulo, v. 16, n. 1, p. 22-30, jan./abr., 2005.

Franco TB. As redes na micropolítica do processo de trabalho em saúde. In: Pinheiro R, Mattos RA. (Org.). Gestão em redes: práticas de avaliação, formação e participação na saúde. Rio de Janeiro: ABRASCO, 2006.

Guattari F. As três ecologias. 13. ed. Campinas, SP: Papirus, 1990.

Rolnik S. Cartografia sentimental: transformações contemporâneas do desejo. 2a ed. Porto Alegre: Sulina; Editora da UFRGS; 2014. 247 p.

Paim I, Travassos C, Almeida C, Bahia L, Macinko, J. O sistema de saúde brasileiro: história, avanços e desafios. The Lancet, maio, 2011.p.11-31.

Brasil. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Diário Oficial da União. Brasília, 20 set. 1990. Seção 1: 18055.

Fontes BSAM. Redes sociais e enfrentamento do sofrimento psíquico: sobre como as pessoas reconstroem suas vidas. Cadernos IHU ideias. São Le o pol do. ano 8 - nº 137 -- 2010.

Rocha EF, Paiva LFA, Oliveira, RH. Terapia ocupacional na Atenção Primária à Saúde: atribuições, ações e tecnologias. Cad. Ter. Ocup. UFSCar, São Carlos, v. 20, n. 3, p. 351-361, 2012 http://dx.doi.org/10.4322/cto.2012.035.

Unidas ON. Informe de la Junta Internacional de Fiscalización de Estupefacientes correspondiente a 2011. Nueva York: ONU, 2012.

Rossi, ROR. El hombre como ser social y la conceptualización de la salud mental positiva.Investigación en Salud, [S.l.], v. 7, n. 2, p. 105-111, 2005.

Gomes MPC, Merhy EE. Pesquisadores IN-MUNDO: um estudo da produção do acesso e barreira em saúde mental. Porto Alegre: Rede UNIDA, 2014.




DOI: https://doi.org/10.47222/2526-3544.rbto4750

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2017 Revista Interinstitucional Brasileira de Terapia Ocupacional - REVISBRATO



Indexado em:

   

           

   Resultado de imagem para REDIB