O acionamento do Caso ergativo em Krahô e em Yawanawá: uma abordagem comparativa
DOI:
https://doi.org/10.31513/linguistica.2025.v21n3a69584Resumo
Este artigo tem por objetivo investigar a marcação de Caso ergativo nos sujeitos de verbos eventivos nas línguas Krahô (Jê) e Yawanawá (Pano). No Krahô, a cisão no sistema de Caso está relacionada ao traço aspectual das sentenças transitivas, visto que o sujeito (A) recebe a marca de Caso ergativo somente sob duas circunstâncias, (i) quando o traço aspectual da sentença é o perfectivo e (ii) quando o verbo aparece na forma não finita. Nessa perspectiva, assumimos a teoria de Dixon (1994), conforme a qual a cisão de Caso está condicionada ao traço gramatical de tempo/modo/aspecto da oração. Adotaremos também a teoria de Duarte (2022), conforme a qual o Caso ergativo está diretamente relacionado à atribuição do papel temático agente/desencadeador a argumentos externos de verbos transitivos, sendo tal correlação bastante sistemática em línguas da família Jê. Já em Yawanawá, o Caso ergativo não está restrito a sujeito de verbos transitivos, mas se estende também a sujeito de verbos intransitivos nos contextos em que esse argumento corresponde a pronomes de primeira e segunda, independentemente se o aspecto da sentença é o perfectivo ou não. Para tal, assumiremos o ranqueamento da Hierarquia Nominal, tal como formulada por Dixon (1994).
Palavras-chave: Caso Ergativo. Aspecto perfectivo. Traço de pessoa. Macro-Jê. Pano.
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