O acionamento do Caso ergativo em Krahô e em Yawanawá: uma abordagem comparativa

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DOI:

https://doi.org/10.31513/linguistica.2025.v21n3a69584

Resumo

Este artigo tem por objetivo investigar a marcação de Caso ergativo nos sujeitos de verbos eventivos nas línguas Krahô (Jê) e Yawanawá (Pano). No Krahô, a cisão no sistema de Caso está relacionada ao traço aspectual das sentenças transitivas, visto que o sujeito (A) recebe a marca de Caso ergativo somente sob duas circunstâncias, (i) quando o traço aspectual da sentença é o perfectivo e (ii) quando o verbo aparece na forma não finita. Nessa perspectiva, assumimos a teoria de Dixon (1994), conforme a qual a cisão de Caso está condicionada ao traço gramatical de tempo/modo/aspecto da oração. Adotaremos também a teoria de Duarte (2022), conforme a qual o Caso ergativo está diretamente relacionado à atribuição do papel temático agente/desencadeador a argumentos externos de verbos transitivos, sendo tal correlação bastante sistemática em línguas da família Jê. Já em Yawanawá, o Caso ergativo não está restrito a sujeito de verbos transitivos, mas se estende também a sujeito de verbos intransitivos nos contextos em que esse argumento corresponde a pronomes de primeira e segunda, independentemente se o aspecto da sentença é o perfectivo ou não. Para tal, assumiremos o ranqueamento da Hierarquia Nominal, tal como formulada por Dixon (1994).

Palavras-chave: Caso Ergativo. Aspecto perfectivo. Traço de pessoa. Macro-Jê. Pano.

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Biografia do Autor

Fábio Bonfim Duarte, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Possuo doutorado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (2003). De 2009 a 2010, permaneci na Universidade de Massachusetts como professor visitante, período durante o qual pude desenvolver atividades referentes aos meus projetos sobre morfossintaxe de línguas indígenas, sob a supervisão da professora Ellen Woolford. Em 2017, estive como professor visitante na Universidade de Toronto, desenvolvendo pesquisa com bolsa de estágio sênior da Capes. Estive como professor visitante na Universidade de Toronto em 2020 e em 2023 e na Universidade Eduardo Mondlane em 2014 e 2015. Atualmente sou professor titular e estou vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos/Poslin da Faculdade de Letras da UFMG. Coordeno projetos de pesquisas, tendo como objetivo o estudo da sintaxe de línguas indígenas brasileiras e de línguas africanas. Venho adotando, como suporte teórico, intuições da teoria tipológica e desenvolvimentos recentes da teoria gerativa. Dentre os vários aspectos que me interessam, destaco, por exemplo, o engatilhamento dos sistemas ergativos e dos sistemas cindidos, os quais são muito recorrentes nas línguas indígenas dos Troncos Tupí (Família Tupí-Guarani) e Macro-Jê (Famílias Jê e Maxacali). Além destes temas, tenho mais recentemente investigado os sistemas de marcação diferencial de objeto em línguas bantu, como a língua Changana, Rhonga, Shimaconde e Emakhwa, as quais são faladas em Moçambique. Além disto, estou atualmente coordenando um projeto de documentação e descrição da língua Tentehara, cujo objetivo é a construção de uma gramática descritiva e a produção de material linguístico a ser utilizado nas escolas indígenas. Parte da produção alcançada nos últimos anos pode ser obtido por meio dos links www.letras.ufmg.br/fbonfim e www.letras.ufmg.br/portal_laliafro. 

Mônica Resende de Souza, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Graduada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atua como professora de Língua Portuguesa na rede pública estadual de Minas Gerais e é mestranda do Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos (POSLIN/UFMG), na área de Linguística Teórica e Descritiva, com interesse em Sintaxe Gerativa. Integra o Laboratório de Línguas Indígenas e Africanas (LALIAFRO/UFMG), coordenado pelo Prof. Dr. Fábio Bonfim Duarte, desenvolvendo atividades de documentação e revitalização de línguas nativas brasileiras.

Amanda Milza Miranda Silva , Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

É graduada em Letras - com habilitação em licenciatura em português - na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Tem interesse em Sintaxe e, atualmente, é mestranda em Letras, na área de Linguística Teórica e Descritiva na UFMG. Além disso, participa do Laboratório de Línguas Indígenas e Africanas (LALIAFRO - UFMG), coordenado pelo Prof. Dr. Fábio Bonfim Duarte. Sua pesquisa é voltada para descrição, documentação, revitalização e análise teórica de línguas indígenas brasileiras.

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Publicado

2025-12-30