Classes acionais (de Vendler) em Mebêngôkre/Kayapó

Autores

  • Clédson Mendonça Junior Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

DOI:

https://doi.org/10.31513/linguistica.2025.v21n3a69719

Resumo

Entre os possíveis universais semânticos estão as classes acionais propostas por Vendler (1957). Com base na Semântica Formal (Gomes; Sanchez-Mendes, 2018), desenhamos um protocolo de elicitação controlada (Sanchez-Mendes, 2014), aplicado para averiguar se a língua Mebêngôkre (Kayapó, família Jê, tronco Macro-Jê), falada no município de São Félix do Xingu (Pará, Brasil) marca gramaticalmente ou não as distinções aspectuais entre as classes acionais. As sentenças foram traduzidas por falantes bilíngues (Kayapó – português). Em seguida, sua aceitabilidade foi confirmada e sua interpretação averiguada por meio de contextos. Os testes mostraram uma clara diferenciação entre as classes acionais na língua minoritária pesquisada, que está ainda bastante pouco descrita. Encontramos não apenas interpretações distintas para os modificadores adverbiais conforme a classe aspectual, mas também advérbios que não são licenciados em certas classes. Já sabemos um pouco mais sobre os sintagmas verbais da língua-alvo. Além disso, a constatação de classes acionais em uma língua de tronco completamente distinto, com uma gramática tão diferente daquelas das línguas em que essas distinções aspectuais foram atestadas, sustenta a hipótese de um universal semântico. Como desdobramento, os achados sobre as classes acionais na língua foram convertidos em uma sequência didática para o ensino de Mebêngôkre nas escolas indígenas, atendendo à demanda das comunidades gerada pela recente cooficialização do idioma. Dessa forma, o artigo integra a validação teórica do universal com uma aplicação prática de retorno aos falantes, demonstrando como a descrição semântica pode fundamentar materiais de referência para a educação escolar indígena.

Palavras-chave: Classes acionais (Vendler). Universais Linguísticos. Família Jê. Semântica Formal. Mebêngôkre (Kayapó).

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Clédson Mendonça Junior, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Possui graduação em Letras - Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (2019), mestrado em Linguística e Línguas Indígenas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2021) e doutorado em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2024). Atualmente, é professor adjunto A da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) e vice-coordenador do Mestrado Profissional em Letras (Profletras), onde atua no curso de Letras - Língua Portuguesa, vinculado à Faculdade de Letras e Educação (FALED) e ao Instituto de Estudos do Xingu (IEX). Atua também como professor colaborador no Mestrado Profissional em Linguística e Línguas Indígenas (Profllind), no Museu Nacional (UFRJ). Possui experiência na área de Linguística, com ênfase em Semântica Formal e Línguas Indígenas, especialmente, o Mebêngôkre (Kayapó). Dedica-se aos Estudos Linguísticos e à Língua Portuguesa, com foco em sua história, descrição e análise.

Downloads

Publicado

2025-12-30