Hipercorreção e frequência de uso: um pequeno estudo de caso da língua Akwẽ-Xerente

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31513/linguistica.2025.v21n3a69721

Resumo

A língua indígena Akwẽ-Xerente, pertencente ao ramo Akuwẽ (Jê Central) da família Jê, conta com uma série de elisões vocálicas ao longo de sua história, com algumas delas ainda ativas em alternâncias morfofonológicas na sua atual sincronia. Em alguns contextos, vê-se emergir destas quedas vocálicas um tepe não etimológico, fazendo com que uma estrutura silábica originalmente complexa se torne ainda mais, já que a partir da interação de encontros consonantais com a emergência do tepe entre essas consoantes, podem surgir sílabas com onsets com até três consoantes [CɾCV]. Este artigo busca descrever, a partir da Teoria de Exemplares, em quais contextos este padrão emerge e quais suas motivações. Mostramos que o tipo [kɾC], com tepe não etimológico seguido por consoante coronal, é o contexto mais frequente e que, por trás disso, encontra-se um caso de hipercorreção, em que falantes mais jovens buscam aproximar sua fala daquela dos anciãos, que é considerada como o padrão de prestígio da comunidade.

Palavras-chave: Fonologia de uso. Hipercorreção. Línguas indígenas. Macro-Jê. Xerente.

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Biografia do Autor

Mário André Coelho da Silva, Universidade Federal de Goiás (UFG)

Professor Adjunto B1 no curso de Educação Intercultural no Instituto de Formação Superior Indígena Takinahak#7929;; da Universidade Federal de Goiás (NTFSI - UFG) desde fevereiro de 2023, tendo sido Professor Substituto na mesma instituição entre os anos de 2018 e 2020. Ocupou o cargo de vice-coordenador do curso de Educação Intercultural e de chefe do então Núcleo Takinahak#7929;; de Formação Superior Indígena entre junho de 2024 e novembro de 2025. Foi professor Adjunto A1 na Universidade Federal do Acre (UFAC) - Campus Floresta, em Cruzeiro do Sul / AC, entre janeiro de 2022 e fevereiro 2023. Contou com um estágio de Pós-Doutorado no Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (IEL - UNICAMP), com bolsa da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp) e é membro do grupo de pesquisa NTL - Núcleo de Tipologia e Línguas Indígenas, situado conjuntamente na Universidade de Brasília (UnB) e Universidade Federal de Goiás (UFG), como líder desde março de 2026, e do grupo INDIOMAS - Conhecimento de línguas indígenas e de línguas de sinais na relação Universidade Sociedade, situado na UNICAMP,. Doutor em Estudos Linguísticos, desde 2020, pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (FALE - UFMG), sob orientação do Prof. Dr. Rui Rothe-Neves, com bolsa pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) entre os anos de 2015 e 2018. Tem mestrado em Linguística, obtido em 2015, pelo IEL - UNICAMP sob orientação da Prof Dr Maria Filomena Spatti Sândalo e do Prof. Dr. Andrew Ira Nevins, com bolsa Proex pela CAPES. Graduado, no ano de 2012, em Letras (bacharelado em Linguística) pela FALE - UFMG e Licenciado em língua Portuguesa pelo Programa Especial de Formação Pedagógica de Docentes do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (PEFPD - CEFET-MG) em 2017. Durante a Graduação na UFMG, foi bolsista de iniciação científica pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) sob orientação da Prof Dr Thaïs Cristófaro Silva no período de 2008 a 2010. Defendeu Monografia como Trabalho de Conclusão de Curso sob orientação do Prof. Dr. Seung-Hwa Lee no ano de 2011. É, ainda, graduando em Letras - Libras, pela Faculdade de Letras da UFG, tendo iniciado o curso em 2024. Os principais interesses de pesquisa são: fonética, fonologia, linguística comparativa, sociolinguística e estudo e descrição de línguas minoritárias, em especial, de línguas indígenas.

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Publicado

2025-12-30