Identificando (in)definitude em Mebêngôkre (Kayapó)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31513/linguistica.2025.v21n3a69727

Resumo

A pesquisa formal em semântica de línguas indígenas necessita de elicitações muito bem desenhadas, em que os contextos estejam bem definidos, para que se possa saber qual é a divisão de trabalho entre os itens lexicais e onde eles podem ou não ser adequadamente empregados. Saber mais sobre a gramática de línguas minorizadas põe à prova teorias e universais linguísticos e pode contribuir para empoderar os falantes da língua. Este artigo apresenta os primeiros resultados de uma pesquisa inédita sobre o sistema nominal em Mebêngôkre (Macro-Jê). Os dados elicitados seguiram os critérios propostos por Dayal (2026) para investigação de (in)definitude nas línguas naturais, com o objetivo de verificar os parâmetros semânticos de Chierchia (1998, 2021). Os resultados preliminares apontam que a língua Mebêngôkre (Kayapó) não possui marcadores de definitude, mas apresenta uma série especializada em indefinitude. Entretanto, resta compreender a distribuição desses marcadores e se a natureza é evidencial ou epistêmica, como alguns dados sugerem. Espera-se contribuir para os estudos sobre línguas indígenas como protagonistas na reformulação de modelos em semântica e para a valorização da língua. Além da documentação, destaca-se a produção de materiais didáticos voltados às escolas Mebêngôkre presentes no município de São Félix do Xingu, no Pará.

Palavras-chave: (In)definidos. Nominais nus. Parâmetros semânticos. Mebêngôkre (Kayapó). Línguas indígenas.

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Biografia do Autor

Ana Paula Quadros Gomes, Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LEV/FL/UFRJ)

Professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LEV/FL/UFRJ). Membro permanente do corpo docente da Pós-graduação em Linguística (UFRJ), da Pós-graduação em Letras Vernáculas (UFRJ) e do Mestrado Profissional em Linguística e Línguas Indígenas - PROFLLIND (Museu Nacional/UFRJ). Com pós-doutorado em Letras na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Com pós-doutorado no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade de São Paulo (USP), com bolsa Fapesp. Doutorado e mestrado em Linguística pela USP, como bolsista do CNPq e da Fapesp. Bolsa-sanduíche (Capes) na Universidade de Massachusetts. Graduada em Linguística (USP), com bolsa de Iniciação Científica do CNPq. Coordenadora do Projeto de Extensão Ações de Combate ao Preconceito Linguístico (UFRJ), que inclui a ação Me Kuni Umari: em rede pelos direitos linguísticos (a Voz Mebêngôkre) e do Lambda - Laboratório de Análises, Materiais, Bibliografias, Descrições e Aprendizagens em Semântica Gramatical (UFRJ). Pesquisa a semântica das línguas naturais, especialmente a das minorizadas e sub-representadas, e a do Português do Brasil. Interessada em defesa de direitos linguísticos, na investigação de universais semânticos, em práticas de divulgação científica e nas contribuições da ciência linguística para o chão da escola, como a preparação de material didático.

Clédson Mendonça Junior, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Possui graduação em Letras - Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (2019), mestrado em Linguística e Línguas Indígenas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2021) e doutorado em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2024). Atualmente, é professor adjunto A da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) e vice-coordenador do Mestrado Profissional em Letras (Profletras), onde atua no curso de Letras - Língua Portuguesa, vinculado à Faculdade de Letras e Educação (FALED) e ao Instituto de Estudos do Xingu (IEX). Atua também como professor colaborador no Mestrado Profissional em Linguística e Línguas Indígenas (Profllind), no Museu Nacional (UFRJ). Possui experiência na área de Linguística, com ênfase em Semântica Formal e Línguas Indígenas, especialmente, o Mebêngôkre (Kayapó). Dedica-se aos Estudos Linguísticos e à Língua Portuguesa, com foco em sua história, descrição e análise.

Guilherme Augusto Duarte Borges, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Possui Doutorado em curso em Linguística no Programa de Pós Gradução em Linguística da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com bolsa Faperj Doutorado Nota 10. Possui mestrado concluído na mesma universidade, ambas pesquisas voltada para a análise de línguas indígenas (Paumarí e línguas da família Arawá) e em Teoria gerativa (Exoesqueletal/Morfologia Distribuída e Programa Minimalista). Participa como voluntário em projeto internacional de estudo da língua indígena Mebengokre/kayapó (tronco macro-jê) utilizando o aporte teórico da Semântica Formal. Recebeu bolsa Faperj mestrado nota 10, através de seleção do programa de pós graduação em Linguística, segundo critérios de aproveitamento de curso. Membro associado da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN), além da comissão de ST de Morfologia da ABRALIN e do Grupo de Trabalho de Línguas Indígenas da Associação Nacional de Pós graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL).Possui graduação em Licenciatura em Letras - Português/Literatura na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), concluída em 2024 e bacharelado concluído em Ciência da Computação pelo Centro Universitário Carioca concluído em 2012. Atualmente, além do doutorado, cursa bacharelado em Astronomia pela UFRJ.

Thais Gabriela Ramos Figueredo, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Aluna de graduação em Letras Português e Literaturas. Atuação no projeto de extensão como monitora no setor de letras vernáculas intitulado Revisão e Elaboração de Textos Acadêmicos e Corporativos, Fase 1, coordenado pelas professoras Drs Juliana Marins e Ana Paula Victoriano Belchor, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no ano de 2018 e 2019. Atuação como Bolsista no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência- PIBID 2018 até 2020, coordenado pelos professores Dr. Marcos Scheffell e DrAlessandra Fontes. Atuação como Monitora de Introdução de Crítica Textual ano 2021. Atualmente é extensionista do projeto Reinscrevendo os Saberes do Corpo: Dança, Biodanza e educação somática na formação de professores(as), coordenado pelos professores Dr André Bocchetti e Dr Silvia Camara Soter da Silveira. Em Janeiro de 2023 se tornou aluna de Iniciação Científica do projeto A perspectiva das línguas sub-representadas - (In) definiteness: the perspective of under-represented languages - e tem como objetivo central investigar as propriedades de (in)definitude em diferentes línguas naturais, levando em consideração suas peculiaridades gramaticais e semânticas. O Objeto de estudo é a língua Mebêngôkre língua falada em São Félix do Xingu, no Pará. Orientado pela Professora Dr Ana Paula Quadros Gomes.

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Publicado

2025-12-30