Crenças e atitudes da elite letrada frente à variação nas estratégias de relativização
DOI:
https://doi.org/10.31513/linguistica.2026.v22n1a72078Resumo
São analisados os resultados de dois testes de avaliação subjetiva de variáveis linguísticas aplicados a 36 indivíduos com ao menos a graduação completa, distribuídos pelos dois sexos e três faixas etárias das cidades de Salvador e do Rio de Janeiro. No primeiro teste, o participante deveria avaliar frases contendo variáveis morfossintáticas do português brasileiro, como típicas de uma linguagem: formal demais, formal, informal ou incorreta. No segundo teste, o participante deveria escolher, em cada frase apresentada, uma variante que fosse adequada para ser usada em uma situação de comunicação formal, na primeira parte, e numa situação de comunicação informal, na segunda parte. O participante também deveria rejeitar alguma forma que considerasse imprópria para o uso naquela situação. Foram analisados apenas os resultados das frases que focalizavam as três estratégias de relativização do português brasileiro: padrão, cortadora e resumptiva. Os resultados revelaram que os participantes, todos membros da elite letrada do país, valorizam bastante a variante prescrita pela tradição gramatical, apesar dessa estratégia estar praticamente ausente de sua linguagem corrente, o que revela a força da ideologia normativista. A estratégia cortadora, no geral, não sofreu uma avaliação negativa, o que aconteceu com a estratégia resumptiva. Por outro lado, o estudo também identificou dois perfis que distinguiram os participantes do teste: um conservador, mais alinhado ao padrão normativo, e um mais progressista, não alinhado ao padrão normativo. Por fim, o estudo revelou as características sociais de cada um desses dois perfis.
Palavras-chave: Elite letrada. Orações relativas. Crenças e atitudes. Norma padrão. Tradição gramatical.
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