Entre ø e forma explícita como marcador relacional em orações relativas: reorganização do sistema no PB
DOI:
https://doi.org/10.31513/linguistica.2026.v22n1a72240Resumo
Este artigo investiga a alternância entre o apagamento (Ø) e a retenção de preposições como marcadores relacionais em orações relativas do português brasileiro (PB). A partir de dados de fala espontânea da amostra Recontato/2000 (Projeto PEUL), a pesquisa adota uma abordagem descritivo-qualitativa, revelando que fatores extralinguísticos, como gênero, idade e escolaridade, não apresentam efeito determinante sobre o fenômeno. Os resultados demonstram que a variação é governada por restrições de natureza interna e organiza-se ao longo de um continuum semântico-funcional. A realização nula atua como valor estrutural default em contextos de alta previsibilidade e esvaziamento nocional, ocorrendo de forma categórica com as preposições a e de, enquanto a forma explícita resiste como mecanismo de resgate argumental em nexos de maior densidade, como com e em. Sob uma perspectiva funcional e com base em evidências diacrônicas, os dados indicam que o padrão atestado não configura déficit gramatical, mas reflete a reorganização do sistema relacional do PB, impulsionada pela economia estrutural, pela reanálise verbal e pela rotinização do que como operador universal de subordinação.
Palavras-chave: Orações relativas. Marcador relacional. Marcação nula (Ø). Contínuo semântico. Português brasileiro.
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