O sotaque das capitais da região sudeste do Brasil: um estudo de avaliação

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DOI:

https://doi.org/10.31513/linguistica.2026.v22n1a72247

Resumo

Este estudo investiga a avaliação dos sotaques das capitais da Região Sudeste do Brasil — Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória — à luz dos pressupostos teórico-metodológicos da Sociolinguística, com foco nos estudos de percepção e avaliação linguística. Parte-se da concepção de que o sotaque é um fenômeno socialmente construído, associado a identidades, representações sociais e valores simbólicos, e de que as percepções dos ouvintes são sistemáticas, variáveis e ordenadas. Para tanto, foi elaborado um formulário on-line, aplicado via Google Forms, no qual participantes brasileiros, maiores de 18 anos, de diferentes níveis de escolaridade e de ambos os sexos, avaliaram o modo de falar de pessoas das capitais do Sudeste em quatro dimensões: prestígio, beleza, correção e agradabilidade, totalizando 1.401 respostas válidas. Os resultados indicam que os sotaques do Rio de Janeiro e de São Paulo foram mais frequentemente associados ao prestígio; o de Belo Horizonte destacou-se nos critérios beleza e agradabilidade; e o de Vitória foi percebido como a variedade mais “correta”. Tais resultados evidenciam que as avaliações não são homogêneas e refletem estereótipos linguísticos e sociais historicamente construídos, influenciados tanto por fatores linguísticos quanto pelo perfil social dos ouvintes. Ao discutir esses padrões, o estudo reforça a importância do respeito linguístico, especialmente no que se refere às variedades linguísticas típicas de cada região, reconhecendo-as como formas legítimas de expressão do português brasileiro. Dessa forma, a pesquisa contribui para o debate sobre atitudes linguísticas, variação e identidade no contexto urbano contemporâneo.
Palavras-chave: Sociolinguística. Estudo de percepção. Sotaque. Identidade. Região Sudeste.

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Biografia do Autor

Leila Maria Tesch, Universidade Federal do Espírito Santo

Leila Maria Tesch é professora do Departamento de Línguas Vernáculas e do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Possui graduação em Letras Português pela UFES (2004), mestrado (2007) e doutorado (2011) em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Realizou estágio de pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFES (20132015) e no Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) (2020), desenvolvendo atualmente estágio pós-doutoral no Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFRJ. Atua como coordenadora de área do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) Letras Português da UFES nos períodos de 2015 a 2020, de 2022 a 2024 e de 2024 até o presente. É uma das coordenadoras do PortVix Grupo Capixaba de Estudos de Variação e Mudança Linguística, no qual orienta pesquisas de iniciação científica, mestrado e doutorado. Desenvolve pesquisas na área de Sociolinguística, com ênfase em estudos de produção e percepção linguística, bem como em Ensino de Língua Portuguesa. Possui publicações nessas áreas, contribuindo para o avanço dos estudos linguísticos e para a formação de professores.

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Publicado

2026-04-30