Língua de sinais e linguagem escrita: a constituição do sujeito surdo bilíngue

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Christianne Thatiana Ramos de Souza

Resumo

Este artigo tem como objetivos analisar o papel da linguagem escrita na constituição do sujeito surdo bilíngue e refletir sobre o lugar ocupado pela língua de sinais no processo de ensino da linguagem escrita como segunda língua (L2) para surdos. A partir do pressuposto de que a linguagem escrita colabora para uma complexificação das funções psíquicas, compreende-se que sua aquisição pelos surdos contribui sobremaneira para seu desenvolvimento afetivo, cognitivo e social. Ao longo deste ensaio discorre-se sobre a constituição do sujeito surdo bilíngue e do papel da escrita nesse processo a partir do cotejamento entre os conceitos apresentados por Lev S. Vigotski sobre a aquisição da linguagem escrita e sua contribuição para o desenvolvimento humano, e os resultados de estudos desenvolvidos por autores contemporâneos da área da Educação de Surdos, que apontam a língua de sinais e a linguagem escrita como importantes para o desenvolvimento do sujeito surdo. Para se constituir um sujeito bilíngue é necessário que o surdo faça uso efetivo em seu cotidiano tanto da língua de sinais quanto da linguagem escrita, sendo a língua de sinais base do processo de significação, incluindo a elaboração dos significados da escrita. A interrelação entre as duas línguas poderá promover mudanças tanto no pensamento quanto na comunicação da pessoa surda. Contudo, a escrita precisa ser ensinada como uma linguagem viva e necessária para os estudantes surdos. Desta maneira, importa que a educação de pessoas surdas garanta a circulação, de forma equivalente, de ambas as línguas no ambiente escolar.

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