Feminismo minoritário e devir-mulher das mulheres

Letícia Conti Decarli

Resumo


Este artigo tem como ponto de partida uma questão que permeia os debates feministas e que diz respeito à universalização do termo mulher e como, na história dos feminismos, isso se mostrou um problema. Pretende-se evidenciar o risco interno aos movimentos políticos de instaurar novos padrões que fixem sujeitos e apaguem suas diferenças. Deste modo, este artigo pretende explorar como a filosofia de Gilles Deleuze e Félix Guattari pode se fazer aliada neste contexto, principalmente a partir de seus escritos sobre o tema das minorias. Mobilizando seu conceito de devir-mulher como um fator desestabilizante de um modelo do que é ser mulher, buscou-se tocar no terreno propriamente micropolítico do feminismo. Ao evidenciar o aspecto de sua filosofia que se dispõe a recusar a existência de qualquer modelo como instância de julgamento, a escrita caminha em direção a uma perspectiva minoritária do feminismo, que se furta a um tal modo de funcionamento.


Palavras-chave


Devir-mulher; Feminismo; Deleuze; Guattari; Micropolítica

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