Alma e movimento em Aristóteles

Francisco Moraes

Resumo


No presente artigo, busco entender, a partir de Aristóteles, o nexo entre corpo e alma, tal como este é estabelecido no tratadoDe anima, em decorrência de uma investigação sobre o movimento. Investigo as razões que levaram Aristóteles a sustentar que a alma não se move, justamente por ser princípio do movimento. Ao negar que a alma seja ela mesma um vivente, o estagirita se posiciona de maneira crítica em relação ao diálogo Fédonde Platão, abrindo caminho para a consideração filosófica do corpo vivo e de sua funcionalidade. Na função (érgon) ou obra a desempenhar, em seu ser capaz de tal obra, reside a especificidade do vivente, que pode não passar ao ato. A diferença entre corpo vivo e inanimado é acentuada, tornando-se incontornável pensar a especificidade do vivo a partir de suas manifestações. Um pensamento sobre a vida que descobre o próprio pensamento como vida. 

Palavras-chave


Aristóteles; alma; corpo; movimento; ato; potência

Texto completo:

PDF

Referências


AGAMBEN, G. A potência do pensamento. Ensaios e conferências. Trad. Antônio Guerreiro. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.

ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. Marcelo Perini. São Paulo: Loyola, 2002.

________. Física. Trad. Gullermo R. de Echandía. Madrid: Gredos, 1995.

________. Physics (Books I-IV). Translated by P.H. Wicksteed and F.M. Cornford. London, Loeb Classical Library, 2005.

________. Physics (Books V-VIII). London, Loeb Classical Library, 2006.

________. Física I-II. Trad. Lucas Angioni. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2009.

________. Ethica Nicomachea I 13- III 8: tratado das virtudes. Trad. Marco Zingano. São Paulo: Odysseus, 2008.

________. The Nichomachean Ethics. Trad. H. Rackhan. London: Harvard Universty Press, 1992.

_________. De l’âme. Trad. R. Bodéüs. Paris: GF-Flamarion, 1993.

_________. On the soul, Parva naturalia, On breath. Trad. W.S. Hett. London: Harvard University Press, 2000.

_________. De anima. Trad. Maria Cecília Gomes dos Reis. São Paulo: Editora 34, 2006.

BRAGUE, R. Aristote et la question du monde: Essai sur le contexte cosmologique et anthropologique de l’ontologie. Paris: Les Éditions du Cerf, 2009.

_________. Introdução ao mundo grego: estudos de história da filosofia. Trad. Nicolás Nyimi Campanário. São Paulo: Loyola, 2007.

COULOUBARITSIS, Lambros. La Physique d’Aristote: L’avènement de la Science Physique. Bruxelles: Ousia, 1997.

PLATÃO. O Banquete – Apologia de Sócrates. Trad. Carlos Alberto Nunes. Belém, PA: EDUFPA, 2001.

________. Diálogos (Os pensadores). Trad. José Cavalcante de Souza, Jorge Paleikat e João Cruz Costa. São Paulo: Abril Cultural, 1979.

________. Phédon. Trad. Léon Robin. Paris: Les Belles Lettres, 1970.

ROBINSON, Thomas M. As origens da alma. Os gregos e o conceito de alma de Homero a Aristóteles. Trad. Alaya Dullius et al. São paulo: Annablume, 2010.

TOMÁS DE AQUINO, Santo. L’Unité de l’intellect contre les averroïstes, suivi des textes contre Averroès antérieurs à 1270(ed. bilingüe). Trad. Alain de Libera. Paris: GF-Flamarion, 1994.

WIELAND, W. Die aristotelische Physik. Untersuchungen über die Grundlegung der Naturwissenchaft und die sprachlischen Bedingungen der Prinzipienforschung bei Aristoteles. Göttingen, Vandenhoeck & Ruprecht, 1992.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2019 Anais de Filosofia Clássica

Creative Commons License esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.