“A realidade obedecia a uma outra escala”: realismo afetivo em Azul corvo, de Adriana Lisboa

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DOI :

https://doi.org/10.1590/1517-106X/211111133

Résumé

Na contemporaneidade o realismo como forma e abordagem narrativas tem sido bastante comentado pela teoria e pela crítica. No contexto brasileiro, parte da crítica especializada, ao tentar delimitar o contemporâneo, destaca o realismo em relação direta com a superexposição da violência, vista como um dos principais temas de hoje. Nesse sentido, expressões como “brutalista” (BOSI, 2002) e “realismo feroz” (CANDIDO, 2011), por exemplo, perpassam as análises de obras que conjugam violência e realismo. Todavia, a despeito da profusão de narrativas que se constroem sobre esse binômio, a proposta do presente artigo não é associar o realismo à marginalidade ou à violência. Por meio da leitura do romance Azul Corvo, de Adriana Lisboa, publicado em 2010, pretendemos trabalhar com a experiência do que Schøllhammer identifica como “realismo afetivo” (2002, 2004, 2011, 2013).

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Renata Rcoha Ribeiro, Universidade Federal de Goiás

Bacharel, mestre e doutora em Letras e Linguística (Estudos Literários) pela Universidade Federal de Goiás (UFG), onde atualmente é professora da Faculdade de Letras (FL) (Literatura Brasileira e Estágio do Português). Professora da área de Estudos Literários do Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da FL/UFG. Realiza estágio pós-doutoral vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da Universidade Federal de Minas Gerais, sob supervisão da profa. Dra. Graciela Ravetti, com o projeto “Memórias da ditadura em romances de Adriana Lisboa e María Teresa Andruetto”. Pesquisa, também, questões relacionadas ao romance brasileiro contemporâneo e se interessa, além deste, pelos seguintes temas: literatura brasileira, teoria da narrativa, ensino de literatura, Osman Lins. Participou da organização das seguintes coletâneas: Inscrições da memória (2017); Literatura brasileira contemporânea: leituras diversas (2017); Narrativa juvenil contemporânea (no prelo); Cem anos de Tropas e boiadas (no prelo).

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Publiée

2019-03-25

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