Fortalecimento e expansão das línguas indígenas Macuxi e Wapichana em Roraima/Brasil

Ananda Machado, Sandra Maria Franco Buenafuente

Resumo


Este trabalho tem como objetivo demonstrar como mudanças socioeconômicas impostas pelo processo de crescimento da região impactaram no modo de vida dos povos indígenas Macuxi e Wapichana, assim como as políticas e ações para o fortalecimento e valorização de suas línguas. A dimensão do fenômeno estudado compõe-se de uma pesquisa descritiva com abordagem qualitativa e analítica. A participação e o diálogo com organizações e lideranças indígenas permitiu o acesso a informações locais.  O escopo teórico abrange autores da economia sustentável: Sachs (2008), Sen (1999), Little (2002) e Furtado (1984); das políticas linguísticas: Oliveira (2010, 2015), Damulakis (2017), Lagares (2018) e da história de Roraima. Questões linguísticas influenciam diretamente e contribuem no incremento da economia indígena em Roraima. O texto mostra o status das línguas Macuxi e Wapichana em Roraima e pode ser tomado como sugestão para formulação de ações e políticas linguísticas que propiciem mudanças culturais e melhoria na qualidade de vida da população indígena e consequentemente de todos em Roraima.


Palavras-chave


Macuxi, Wapichana, políticas linguísticas

Texto completo:

PDF

Referências


BAALBAKI, Angela Corrêa Ferreira; ANDRADE, Thiago de Souza. Plurilinguismo em cena: processos de institucionalização e de legitimação de línguas indígenas. Policromias, Revista de Estudos do Discurso, Imagem e Som. V.1, N.1. Rio de Janeiro. 2016. Disponível em Acesso em 01/11/2018.

BIFANI, P. Medio Ambiente y Desarrollo Sostenible. 4ª Ed. Madrid: Instituto de Estúdios Políticos para América Latina – IEPALA, 1999.

BONFIM. Lei 211 de 04 de dezembro de 2014.

CADETE, Casimiro Manoel. Dicionário Wapichana- Português Português- Wapichana. São Paulo: Edições Loyola, 1990.

______. Entrevista (junho de 2013) [92 anos]. Entrevistadora: Ananda Machado. Comunidade Canauanim, município Cantá-Roraima. In MACHADO, Ananda. Kuadpayzu, Tyzytaba’u Na’ik Marynau Aspectos de Uma História Social da Língua Wapichana em Roraima (1932-1995). Tese de doutorado PPGHIS UFRJ. Rio de Janeiro, 2016.

CALVET, Louis Jean. As Políticas Linguísticas. São Paulo: Editora Parábola, 2007.

Carta de Canauanim, 2001. Organização dos Professores Indígenas de Roraima (OPIRR) (no prelo)

DAMULAKIS, Gean. Cooficialização de línguas no Brasil: características, desdobramentos e desafios. 2017. Disponível em Acesso em 30/11/2018.

EGGERATH, Dom Pedro. O Valle e os índios do Rio Branco. Rio de Janeiro: Instituto Histórico e Geográphico Brasileiro. Tip. Universal,1924.

FRANCHETTO, Bruna. A guerra dos alfabetos: os povos indígenas na fronteira entre o oral e o escrito. Mana. Estudos de Antropologia Social, v. 14, n.1, 2008.

FREIRE, José Ribamar Bessa. Rio Babel- a História das Línguas na Amazônia. Rio de Janeiro: Atlântica, 2004.

_____. A Demarcação das línguas indígenas. In CUNHA, Manuela Carneiro; CESARINO, Pedro de Niemeyer. (Orgs). Políticas culturais e povos indígenas. São Paulo, Cultura Acadêmica/ Ed Unesp, 2014.

FULNI-Ô, Fábia. Yaathe a língua do misterioso mundo Fulni-ô - Especial Ano Internacional das Línguas Indígenas, 2019. Disponível em acesso em 30/04/2019.

FURTADO, Celso. Cultura e Desenvolvimento em época de crise. São Paulo: Paz e Terra, 1984.

GILDEA, S. Linguistic Studies in the Cariban Family in CAMPBELL, L. & GRONDONA, V. Handbook of South American Languages. Berlin: Mouton de Gruyter, 2012.

GIRARDI, Liráucio. Pierre Bourdieu: mercados linguísticos. Revista Famecas: mídia, cultura e Tecnologia. Porto Alegre, v.24, n3. Setembro, outubro, novembro e dezembro de 2017. Disponível em acesso em 12/06/2018.

Iistituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Censo 2010. Disponível em acesso em 12/01/2020.

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) Brasil. Decreto nº 7.387, de 09/10/2010. Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL).

______. Guia de Pesquisa e Documentação para o INDL: Volume 1 Patrimônio Cultural e diversidade Linguística. Brasília: IPHAN, 2016.

______. Guia de Pesquisa e Documentação para o INDL: Volume 2 Formulário e Roteiro de Pesquisa. Brasília: IPHAN, 2016.

KOUYATÉ, Sotigui. Encontros de Escuta, Comunicação e Sensibilidade. SESC SP, 2006. Disponível em acesso em 04/04/2019.

LAGARES, Xóan Carlos. Qual Política linguística? Desafios Glotopolíticos Contemporâneos. São Paulo: Parábola, 2018.

LITTLE, P. E. Amazônia: disputas territoriais em fronteiras perenes. Baltimore: Imprensa da Universidade Johns Hopkins, Marilan, 2001.

________. Etnodesenvolvimento local: autonomia cultural na era do neoliberalismo global. Rev. Tellus, ano 2. nº 3, out, 2002.

MARAZZI, C. O lugar das meias. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2009.

MORI, Letícia. O Brasil tem 190 línguas indígenas em perigo de extinção. BBC Brasil. São Paulo. 2018. Disponível em . Acessado em 31/10/2018.

MUNDURUKU, Daniel. Mundurukando 2: sobre vivências, piolhos e afetos: roda de conversa com educadores. Lorena: UKA editorial, 2017.

OLIVEIRA, Gilvan Muller. O Lugar das Línguas: América do Sul e os Mercados na Nova Economia. Synegies Bresil. Número especial 1, 2010. p. 21-30

______. Política linguística e internacionalização: a língua portuguesa no mundo globalizado do século XXI. Trab. linguist. apl. 2013, vol.52, n.2, pp.409-433. ISSN 2175-764X. Disponível em acesso em 09/04/2019.

______. In MORELLO, Rosângela (org.). Leis e Línguas no Brasil. O processo da Cooficialização e suas potencialidades. Florianópolis: IPOL, 2015.

RIST, Gilbert. La Cultura y el Capital Social: complices o victmas del desarrollo? In: Kliksberg y Luciano Tomassini. Capital social y cultura: claves para el desarrollo. Fondo de Cultura Económica Bernardo– BID, Buenos Aires, 2002.

______. El desarrollo: historia de una creencia occidental. Madri: Los Libros de la Catarata, 2002.

RODRIGUES, Aryon Dall’Igna. Línguas Brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas. 2ªedição. São Paulo: E. Loyola, 1994.

ROSTOW, W.W. Etapas do Desenvolvimento Econômico. Rio de Janeiro: Zahar, 1971.

SACHS, I. Em busca de novas estratégias de desenvolvimento. Estudos Avançados. Vol. 9 n 25. São Paulo: Set/Dez, 1995.

______. Caminhos para o desenvolvimento sustentável. 3 Ed. Rio de Janeiro: Garamond, 2008.

______. A Terceira Margem: em busca do ecodesenvolvimento. São Paulo: Compainha das Letras, 2009.

SCHUMPETER, Joseph. A. Teoria do desenvolvimento econômico: uma investigação sobre lucros, capital, crédito, juros e o ciclo econômico. São Paulo: Abril Cultural, 1982.

SINGER, Paul I. Desenvolvimento e Crise· São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1968.

UFRR. Universidade Federal de Roraima. Site Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena/UFRR. Programa de Valorização das Línguas Indígenas Macuxi e Wapichana em Roraima, 2017. < http://ufrr.br/ultimas-noticias/3666-programa-de-valorizacao-das-linguas-e-culturas-macuxi-e-wapichana-encerra-atividades-com-festa> Acesso em 05 de junho de 2018.

______________. Site Gestão Territorial Indígena. Programa de Valorização das Línguas Indígenas Macuxi e Wapichana (PVLCMW), 2018. Disponível em Acesso em 05 de novembro de 2018.

UNESCO. Recommendation Concerning The Promotion and Use of Multilingualism and Universal Access to Cyberspace. Paris. 2013. Disponível em . Acesso em 31 out 2018.

______ Atlas Mundial dos Idiomas em Perigo. Disponível em acesso em 11/04/2017.

VEIGA, J. E. 2005. Desenvolvimento Sustentável: desafios do século XXI. São Paulo: Garamound, 2005.

VIEIRA, Jaci. Missionários, Fazendeiros e Índios em Roraima. A disputa pela terra 1777 a 1980. 2 ed revisada e ampliada. Boa Vista: Editora da UFRR, 2014.




DOI: https://doi.org/10.35520/diadorim.2020.v22n1a31714

Apontamentos

  • Não há apontamentos.



Indexadores e bases bibliográfcias:
Google Scholar  LivRe  DRJI Base EZB  WorldCat Kubikat InfoGuide HNU 


Licença Creative Commons
A Revista Diadorim utiliza uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.