A adjetivação como marca de Tradição Discursiva do editorial de O Mossoroense

Ângela Cláudia Rezende do Nascimento Rebouças

Resumo


Os editoriais circulam amplamente na esfera jornalística desde a criação da imprensa no Brasil e como textos essenciais para a demarcação de um posicionamento oficial da empresa, seguem uma tradição contínua de aparecimento nos diversos jornais do país. Sabemos, no entanto, que os textos que circularam na primeira fase jornalística do Brasil não são iguais aos textos mais modernos em função de fatores pragmáticos, linguístico-discursivos e estruturais. Dessa forma, partimos dos pressupostos da linguística românica coseriana, que tem como fio condutor a ideia que os textos têm uma historicidade própria (COSERIU, 1979) e da qual pode haver características contínuas e outras descontínuas, para avaliar o adjetivo como marca de Tradição Discursiva no texto. Assim, os editoriais do Jornal O Mossoroense, publicados desde 1872, serão o material em que analisamos a categoria morfológica adjetivo, e estão metodologicamente divididos em três fases que vão de 1872 ao ano de 1875, e conta com 34 exemplares de textos. O segundo período vai de 1928 a 1935 e é composto de 23 textos. O último vai do ano 1980 ao ano de 2007 e comporta 14 textos representativos dos editoriais. A pesquisa consiste numa análise qualitativa da adjetivação em editoriais das épocas destacadas. Os resultados obtidos nos permitem afirmar que há mudanças linguísticas consideráveis e propósitos comunicativos aproximados, além da adjetivação estar mais polida. Ainda podemos verificar a aproximação do editorial da primeira fase ao gênero manifesto, tão comum no final do século XIX.

Palavras-chave


Adjetivação; Tradição discursiva; Editorial; O Mossoroense.

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DOI: https://doi.org/10.24206/lh.v4i1.17488

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