O estudo da variação teu/seu: atuação do fator grau de parentesco

Rachel de Oliveira Pereira Lucena

Resumo


O presente estudo objetiva analisar a variação existente entre as formas simples de pronomes possessivos de segunda pessoa do singular, isto é, teu/tua/seu/sua, diacronicamente, no português brasileiro, buscando explicar o que o motiva tal variação e observar em especial o comportamento do pronome seu. No presente estudo, será feito um recorte, sendo observados apenas os resultados referentes a um fator extralinguístico: o parentesco entre os missivistas. A análise quantitativa e qualitativa dos dados baseia-se nos pressupostos da sociolinguística variacionista (LABOV, 1994; WEINREICH; HERZOG; LABOV, 1968). Além disso, na análise dos pronomes possessivos serão observadas também as situações comunicativas em que os pronomes estão inseridos, observando as relações de poder na ótica da teoria de Poder e Solidariedade proposta por Brown e Gilman (1960). A hipótese norteadora do trabalho é a de que, nas relações mais íntimas, haveria o maior emprego de teu, enquanto nas relações em que há predominância de maior distanciamento entre os interactantes, haveria o emprego de seu. Tal hipótese se baseia nos estudos referentes à variação tu/você na posição de sujeito (SOUZA, 2012).


Palavras-chave


Pronomes possessivos; Variação; Teu/Seu.

Texto completo:

PDF

Referências


BARCIA, L. R.. As formas de tratamento em cartas de leitores oitocentistas: peculiaridades do gênero e reflexos da mudança pronominal. Dissertação (Mestrado em Letras Vernáculas – Língua Portuguesa). Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.

BROWN, R.; GILMAN, A. “The Pronouns of Power and Solidarity”. In: SEBEOK, T.A. Style in Language. Massachusetts: Ed. MIT Press, 1960. p. 253-276.

BROWN, P.; LEVINSON, S. Politeness: some universal in language usage. Cambridge: Cambridge University, 1987.

CONDE SILVESTRE. J. C. Sociolinguística histórica. Editorial Gredos, 2007.

HUERTA FLORES, N. Los Posesivos. In: COMPANY COMPANY, Concepción (Coord.). Sintaxis Histórica de la Lengua Española. Segunda parte: la frase nominal. México: Universidad Nacional Autónoma de México-Fondo de Cultura Económica, 2009. p. 611-757

LABOV, W. Sociolinguistic Patterns. Pennsylvania: University of Pennsylvania Press, 1972.

LOPES, C. R. dos S. O quadro de pronomes pessoais: descompasso entre pesquisa e ensino. Matraga, v. 19, n. 30, 2012. p. 116 -141.

LOPES, C. R. dos S. Tradição e mudança no sistema de tratamento do português brasileiro: definindo perfis comportamentais no início do século XX. Alfa: Revista de Linguística, v. 55, 2011. p. 361-392. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/alfa/article/view/4733.

MACHADO, A. C. M. As formas de tratamento no teatro brasileiro e português dos séculos XIX e XX. Tese (Letras Vernáculas). Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2011.

MARCOTULIO, L. L. A preservação das faces e a construção da imagem no discurso político do marquês de Lavradio: as formas de tratamento como estratégias de atenuação da polidez linguística. Dissertação (Mestrado em Língua Portuguesa). Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008.

OLIVEIRA E SILVA, G. M. de. Estudo da regularidade na variação dos possessivos no Português do Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Linguística). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1982.

RUMEU, M. C. de B. A implementação do “Você” no português brasileiro oitocentista e novecentista: um estudo de painel. Tese (Doutorado em Língua Portuguesa). Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008.

RUMEU, M. C. de B. Língua e Sociedade: a história do pronome “Você” no português brasileiro. Rio de Janeiro: Ítaca, 2013.

SOUZA, J. P. F. Mapeando a entrada do você no quadro pronominal: análise de cartas familiares dos séculos XIX-XX. Dissertação (Mestrado em Língua Portuguesa). Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2012.

WEINREICH, U.; HERZOG, M.; LABOV, W. Fundamentos empíricos para uma teoria da mudança linguística. São Paulo: Parábola, 2006 [1968].

VIDAL, M. Introducción a la pragmática. Barcelona: Ariel, 2002.




DOI: https://doi.org/10.24206/lh.v5iEspecial.25091

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2019 LaborHistórico

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Licença Creative Commons

LaborHistórico | ISSN 2359-6910

A Revista LaborHistórico da Universidade Federal do Rio de Janeiro está licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.