Sobre o estatuto de -nte: evidência de um continuum flexão-derivação para a mudança morfológica do latim ao português

Carlos Alexandre Gonçalves, João Carlos Tavares da Silva

Resumo


Neste artigo, procuramos checar o estatuto morfológico de -nte, observando, através de critérios empíricos que tradicionalmente diferenciam a flexão da derivação, se houve mudança em seu percurso, do latim ao português. Pretendemos, com isso, validar a proposta de continuum flexão-derivação, mostrando que a mudança morfológica constitui importante evidência empírica de que a diferença entre essas duas áreas da morfologia não é discreta. Nesse intuito, fazemos um trajeto dessa unidade morfológica do latim ao português, sem deixar de contemplar o latim vulgar e o português arcaico. Nossos dados são todos de fontes secundárias, pois partimos de análises já feitas sobre a partícula em perspectivas diferentes da nossa.


Palavras-chave


Morfologia. Sufixo -nte. Continuum flexão-derivação. Mudança linguística.

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DOI: https://doi.org/10.24206/lh.v6i1.30736

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