O léxico de contato na Primeira Década da Ásia (1552), de João de Barros

neologismos de empréstimo e reinterpretação da classificação toponímica de Dick (1990)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24206/lh.v12i1.70198

Palavras-chave:

Primeira Década da Ásia, Léxico, Neologia de empréstimo, Sistema Toponímico Taxionômico, Lexicografia

Resumo

O objetivo deste artigo é discutir teoricamente o léxico, com ênfase nas questões de neologia e etimologia, a partir de exemplos da Primeira Década da Ásia (1552), de João de Barros. A ampliação do vocabulário durante o Mercantilismo e o Renascimento, quando novas sociedades foram alcançadas e nomeadas, evidencia a importância do contato linguístico na formação do português moderno. Nesse contexto, destacam-se unidades lexicais como chatim (comerciante), chatinar (comercializar), pardáos (moeda da Índia), fanões (moeda indiana) e faraçolas (peso antigo usado no comércio), cujas origens remontam a línguas dravídicas, ao sânscrito, ao tâmil-malaio e ao árabe (Dalgado, 1919). No entanto, os empréstimos mais recorrentes no corpus analisado são antroponímicos e toponímicos, o que exigiu a adoção de uma classificação onomástica para a organização dos dados. O Sistema Toponímico Taxionômico, de Dick (1990), embora constitua a principal referência brasileira nesse campo, apresentou limitações quando aplicado aos dados da pesquisa, em razão do objeto de estudo e do método utilizados na lexicografia. Ainda assim, o modelo se mostra relevante para refletir sobre classificações existentes e propor novos encaminhamentos teórico-metodológicos no âmbito da lexicografia histórica.

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Biografia do Autor

Jane Keli Almeida da Silva, Universidade Federal da Bahia

Professora assistente de Filologia da Universidade Federal da Bahia. Mestre em Língua e Cultura, em 2017, pela mesma Universidade, com concentração na área: História e funcionamento das línguas naturais. Doutora em Linguística Histórica, em 2022, com a tese intitulada A Primeira Década da Ásia de João de Barros: Edição e estudo lexicográfico-etimológico. Neste trabalho, realizou uma edição diplomática e um glossário de étimos não latinos e não românicos, concentrando-se, assim, nos campos da Filologia, da Linguística Histórica stricto sensu e da Lexicografia Histórico-Variacional. É líder do Grupo de Pesquisa Nêmesis (UFBA), cujo objetivo é o estudo do léxico e da história da língua portuguesa em perspectiva histórica. Faz parte, também, como pesquisadora do Programa para a História da Língua Portuguesa (PROHPOR), atuando na linha de constituição histórica do português e das línguas românicas. Tem interesse nas áreas da Filologia, da Crítica Textual, da Linguística Histórica e do léxico em perspectiva histórica.

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Publicado

30-05-2026