O fim da guerra não é o fim da guerra: a independência de Angola e os buracos negros da literatura

Zoraide Portela Silva, Humberto José Fonsêca

Resumo


Este artigo faz uma breve análise do processo de independência de Angola, levado a efeito pelos seus grandes movimentos de libertação nacional nos marcos do colapso do colonialismo português. Tentaremos mostrar o que significou para o povo angolano os séculos de colonialismo português, a violência que se abateu sobre esse povo durante o período colonial e como essa violência aumenta nos anos de guerra pela independência. Após breve análise da literatura angolana, a partir da obra de José Luandino Vieira, no momento de passagem de uma guerra de natureza essencialmente anticolonial para o cenário da guerra pela reconstrução das identidades africanas e angolana em particular, concluímos que a guerra travada pela literatura não termina com o fim da guerra anticolonial.


Palavras-chave


Guerra Anticolonial; Independência de Angola; Literatura; Luandino Vieira.

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DOI: https://doi.org/10.35520/mulemba.2020.v12n23a36984

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