Escrever a identidade nas entrelinhas da violência – conflitos e reencontros

Ana Margarida Fonseca

Resumo


No ensaio de 2006 Identity and Violence. The Illusion of Destiny, Amartya Sen apresenta a ideia de que o conflito e a violência assentam na ilusão de que os seres humanos se definem exclusivamente, ou sobretudo, a partir de uma única identidade. A ênfase num único aspeto de uma identidade plural alimenta a violência, pelo que o reconhecimento da diversidade identitária, através de uma escolha livre e racional, é determinante no mundo contemporâneo. No contexto pós-colonial, a relação entre identidade e violência revela-se fundamental, considerando a importância da (re)definição identitária emergente dos processos de descolonização. Estes, no caso de Angola e de Moçambique, são indissociáveis dos conflitos armados em que ambas as nações estiveram mergulhadas durante décadas, com consequências dramáticas na vida das populações. Procuramos, assim, fazer uma análise de representações da violência em narrativas de José Eduardo Agualusa e João Paulo Borges Coelho, especificamente no que fiz respeito à representação de espaços concentracionários, tendo em conta a importância da afirmação de identidades miscigenadas e a superação do trauma através do reconhecimento da alteridade.


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Referências


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DOI: https://doi.org/10.35520/mulemba.2021.v13nEsp.a51056

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