“Cachoeiras ocultas” ou as figurações do feminino em contos de Ana Maria Machado e Dina Salústio

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DOI:

https://doi.org/10.35520/mulemba.2025.v17n33e67426

Resumo

Propomos uma leitura comparada entre os contos “Burrinho de presépio”, da escritora brasileira Ana Maria Machado, “Mãe não é mulher” e “A oportunidade do grito”, da cabo-verdiana Dina Salústio, no intuito de aproximar vozes femininas separadas por um oceano, mas unidas por uma vivência marcada pelo gênero. Nesse sentido, buscaremos evidenciar como é figurada a vida da mulher em contextos semelhantes, uma vez que são erigidos nas mesmas bases patriarcais judaico-cristãs. Problematizamos o papel aprendido pela mulher no desempenho de suas funções sociais e as formas como são figuradas pela literatura, a partir de um embasamento teórico advindo da crítica feminista e da ginocrítica. Considerando conceitos como feminino, enquanto vincado pelas convenções socialmente atribuídas à mulher; gênero como uma categoria operacional para compreender a diferença social e cultural que atravessa os sujeitos; patriarcalismo, cuja abrangência de organização familiar extrapola o âmbito privado e alcança a esfera política, cunhando um termo que representa a institucionalização do poder e da opressão, tanto socialmente quanto no âmbito privado das famílias. Desse modo, o olhar parte de uma intenção de desconstruir a forma naturalizada com que as diferenças de gênero resultaram no, ainda vigente, exercício de poder e de opressão sobre as mulheres, resultando em apagamentos e silenciamentos. Assim, entre gritos e silêncios, percebemos que os contos revelam um mundo interior habitado pelas mulheres, maior do que o patriarcado gostaria que fosse e pronto a subverter o represamento que o contém.

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Publicado

2026-05-15

Edição

Seção

Ser mulher no período colonial, entre a vida e a escrita