O rio e a palavra, memória em travessia:
a escrita como resistência em A cegueira do rio (2024), de Mia Couto
DOI:
https://doi.org/10.35520/mulemba.2025.v17n33e69068Resumo
Publicado em 2024, o romance A cegueira do rio, de Mia Couto, propõe uma narrativa que entrelaça memória, esquecimento e resistência simbólica. A história revela vozes ocultadas, especialmente de mulheres e comunidades tradicionais, que emergem para questionar os relatos hegemônicos da história colonial. O rio, símbolo central, não apenas delimita, mas conecta espaços e identidades atravessados por experiências ancestrais. A obra reconstrói sentidos a partir de vestígios e da oralidade, ressignificando o passado por meio de uma linguagem que combina mito, poesia e história. A memória é tratada não como repositório estático, mas como campo dinâmico de disputas e reinvenções. O narrador, ao investigar o passado da região e de seus habitantes, recompõe identidades e desafia a cronologia linear, evocando o poder da ficção como meio de reparar silêncios. Assim, Mia Couto transforma a escrita em instrumento de resistência cultural e afetiva diante das feridas abertas pela colonização e pelos apagamentos históricos.
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