Corpo-escrita e insurgência:
Deolinda Rodrigues entre a memória, a luta e a denúncia da estética colonial
DOI:
https://doi.org/10.35520/mulemba.2025.v17n33e69147Resumo
Este artigo examina os escritos de Deolinda Rodrigues, militante do MPLA, com base nas obras Cartas de Langidila e outros documentos (2003a) e Diário de um exílio sem regresso (2003b), situando-os como expressões literárias e políticas de resistência ao colonialismo português e à dominação patriarcal. A escrita de Rodrigues articula dimensões íntimas e coletivas, revelando processos de subjetivação que desafiam os paradigmas ocidentais de representação da mulher africana. Em cenários marcados pelo exílio e pelo conflito armado, sua produção mobiliza afetos, espiritualidade e crítica como estratégias de insurgência. Ao tensionar as fronteiras entre literatura e testemunho, entre o pessoal e o político, a autora reinscreve a mulher negra como agente da história angolana. Fundamentado em reflexões como as de Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí (1997), bell hooks (2019) e Achille Mbembe (2014), o estudo demonstra como o corpo-escrita de Deolinda se constitui como espaço de memória e ruptura, inscrevendo uma subjetividade negra feminina que resiste ao apagamento e reivindica o vivido como matéria de elaboração estética e intervenção política. Sua obra, assim, contribui para a descolonização dos saberes e para a valorização da literatura produzida por mulheres africanas.
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