Resumo
Este ensaio apresenta os processos de desterritorialização da formação de uma professora de matemática, a partir de diálogos com Daniel Munduruku e Edson Kayapó, professores e intelectuais indígenas brasileiros. Em um movimento de composição, propõe-se a afirmação de uma formação docente implicada em uma infância-universo, que não se projeta em futuros ficcionais, mas opera a partir da materialidade do presente. Ademais, discute-se a produção de um corpo-criança produzido junto à terra como possibilidade para pensar uma educação com os pés, ou seja, pisando respeitosamente na terra. Desse modo, considerando a terra como um espaço onde a vida se prolifera, são estabelecidas aberturas para a produção de resistências às imposições higiênicas do mundo moderno para e na educação escolar.
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