Diálogo, em Botocudo: preâmbulo de um massacre
DOI:
https://doi.org/10.31513/linguistica.2025.v21n3a69309Resumo
Entre a primeira metade do século XIX e o final do século XX, publicaram-se dezenas de vocabulários da língua dos Botocudos, do tronco Macro-Jê (Seki, 1990, p. 119-120), ou mais precisamente, de várias línguas de povos indígenas, reunidas sob a família que se convencionou chamar Botocudo e, depois, Krenak (Rodrigues, 1986, p. 56, 1999, p. 167). Na esmagadora maioria, aquelas publicações não passam mesmo de vocabulários (alguns, bastante limitados), e nenhuma delas reuniu tanto texto – isto é, fraseados completos – de qualquer das línguas da família, como o Wörterbuch der Botokudensprache, de Bruno Rudolph (1909). Nas quinze páginas finais de sua obra ele registrou mais de três centenas de frases na língua indígena. O presente texto trata da última parte daquele conjunto, que reproduz – de modo surpreendente – um diálogo entre um mestiço (guia ou líder de um grupo fortemente armado) e o cacique de um grupo Pojitxá que termina sendo massacrado no local. Defendemos a hipótese de ser, esta, a primeira publicação de registro de uma língua indígena no Brasil, baseada em uma gravação. E buscamos, ao lado disso, interpretar o fato também inusitado de ele ser um dos primeiros registros já publicados, por uma testemunha direta, de um massacre contra uma população indígena no Brasil.
Palavras-chave: Língua indígena. Botocudo. Pojitxá. Macro-Jê. Bruno Rudolph.
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