Estranho no ninho: uma etnóloga imagina um futuro instigante para as pesquisas sobre as línguas Macro-jê

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31513/linguistica.2025.v21n3a69583

Resumo

Este artigo apresenta uma perspectiva antropológica de como aprofundar um diálogo transdisciplinar, não só entre a etnologia e a linguística, com destaque para a semântica e a tradução, mas também com contribuições da arqueologia, da genética, e da Inteligência Artificial (IA), para avançar os conhecimentos acerca das línguas Macro-Jê. São destacadas questões referentes à família linguística Jê Setentrional e, mais particularmente, aos Mẽbêngôkre, de acordo com os conhecimentos da autora. No Brasil Central, as pesquisas arqueológicas ainda não iniciaram esse diálogo, e a genética ainda não contribuiu para desvendar a história das migrações Jê. Os impedimentos não se restringem ao desenvolvimento tecnológico; envolvem também questões éticas que ainda merecem muita discussão. A IA é uma ferramenta cujo alcance está em um estágio preliminar. A parceria mais frutífera, por enquanto, envolve linguistas e etnólogos, além de uma aproximação da literatura para aprimorar a arte da tradução. Os indígenas estão cada vez mais interessados em transitar do papel de interlocutores e colaboradores ao de empreendedores de suas próprias pesquisas, substituindo os não indígenas nas universidades, nas áreas acadêmicas que dizem respeito a eles e aos seus interesses, um processo ainda incipiente.

Palavras-chave: Etnologia. Linguística histórica. Tradução. Arqueologia. Genética.

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Biografia do Autor

Vanessa Rosemary Lea, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Em 2012 publicou o livro - Riquezas intangíveis de pessoas partíveis: os Mẽbêngôkre (Kayapó) do Brasil Central, pela Edusp/FAPESP. Graduação em Latin American Studies (Ciência Política e Sociologia) - University of Essex (1974), mestrado em Latin American Studies (Sociologia e Antropologia) - University of Oxford (1976), e doutorado em Antropologia Social - Museu Nacional (Universidade Federal do Rio de Janeiro (1986). Pós-Doutoramento na Universidade de Cambridge 2000-2001, onde foi visiting scholar de King's College. Foi docente, de 1983 a 2014, do Departamento de Antropologia, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), São Paulo. É professora titular desde novembro de 2010 e atualmente colaboradora do PPGAS. Foi chefe do Departamento de Antropologia entre agosto de 2005 e fevereiro de 2008 e Diretora do Centro de Pesquisa em Etnologia Indígena (CPEI) de 2009 a 2012. Foi parecerista do CNPq e do Capes e continua sendo parecerista da FAPESP, da Maloca e outras revistas de antropologia. É especialista em Etnologia Indígena, pesquisando principalmente os seguintes temas: organização social, parentesco, gênero, cosmologia, ritual, mitologia, linguagem, filosofia Ameríndia e a fronteira entre antropologia social e linguística. Tem experiência na área de educação indígena e perícias judiciais e se interessa pela atual conjuntura política e econômica. Foi assessora e participante do curso de formação de professores bilingues Mebengokre em Mato Grosso de 1998 a 2009. Atualmente pesquisa parentesco, aliança matrimonial e gênero enfocando especialmente os Mebengokre.

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Publicado

2025-12-30