Estranho no ninho: uma etnóloga imagina um futuro instigante para as pesquisas sobre as línguas Macro-jê
DOI:
https://doi.org/10.31513/linguistica.2025.v21n3a69583Resumo
Este artigo apresenta uma perspectiva antropológica de como aprofundar um diálogo transdisciplinar, não só entre a etnologia e a linguística, com destaque para a semântica e a tradução, mas também com contribuições da arqueologia, da genética, e da Inteligência Artificial (IA), para avançar os conhecimentos acerca das línguas Macro-Jê. São destacadas questões referentes à família linguística Jê Setentrional e, mais particularmente, aos Mẽbêngôkre, de acordo com os conhecimentos da autora. No Brasil Central, as pesquisas arqueológicas ainda não iniciaram esse diálogo, e a genética ainda não contribuiu para desvendar a história das migrações Jê. Os impedimentos não se restringem ao desenvolvimento tecnológico; envolvem também questões éticas que ainda merecem muita discussão. A IA é uma ferramenta cujo alcance está em um estágio preliminar. A parceria mais frutífera, por enquanto, envolve linguistas e etnólogos, além de uma aproximação da literatura para aprimorar a arte da tradução. Os indígenas estão cada vez mais interessados em transitar do papel de interlocutores e colaboradores ao de empreendedores de suas próprias pesquisas, substituindo os não indígenas nas universidades, nas áreas acadêmicas que dizem respeito a eles e aos seus interesses, um processo ainda incipiente.
Palavras-chave: Etnologia. Linguística histórica. Tradução. Arqueologia. Genética.
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