Amigos gaysssss: efeitos da duração de /-s/ final em percepções de gênero/sexualidade em vozes masculinas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31513/linguistica.2026.v22n1a71988

Resumo

Este artigo explora efeitos da duração da coda /-s/ em final de palavra em percepções de gênero/sexualidade acerca de vozes masculinas em português brasileiro. Tais efeitos foram testados experimentalmente, com a técnica matched-guise, a partir de estímulos acústicos caracterizados por coda /-s/ breve (s-) ou alongada (s+). De acordo com as respostas de 122 ouvintes, em escalas de diferenciais semânticos, verifica-se que os quatro falantes cujas vozes foram utilizadas soam “menos masculinos/mais gay” quando ouvidos no disfarce s+. Tal efeito não varia de acordo com o sexo do ouvinte, sua escolaridade, faixa etária ou orientação sexual - o que sugere generalidade da correlação entre a variável linguística e percepções de gênero/sexualidade. Por outro lado, ouvintes que declaram ter poucos amigos gays em suas redes de relacionamento (relativamente a ouvintes que dizem ter muitos amigos gays) tendem a perceber os falantes do experimento menos vezes como “menos masculino/mais gay” diante de s+, o que sugere que o funcionamento de /-s/ como índice de gênero/sexualidade em vozes masculinas é sujeito ao acesso que os ouvintes têm a essa variação (cuja produção, associada a práticas sociais ainda não foi estudada). Este estudo insere o português brasileiro no rol de línguas em que a indicialidade de /-s/ vem sendo investigada e aponta para encaminhamentos na continuação das pesquisas sobre esse tema.
Palavras-chave: Duração da coda /-s/. Gênero. Sexualidade. Percepção sociolinguística.

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Biografia do Autor

Marcus Garcia de Sene, Universidade de Pernambuco (UPE)

Doutor e mestre em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista - Júlio de Mesquita Filho (UNESP/Araraquara). Licenciado em Letras Português - Inglês pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Realizou estágio pós-doutoral no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Roraima. Atualmente, é Professor Adjunto da Universidade de Pernambuco (UPE) campus Garanhuns, atuando no Departamento de Linguística e Práticas de Ensino. É Professor Permanente e Vice-coordenador do Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS UPE/Garanhuns). Coordena o grupo de pesquisa (i) Variação linguística, Avaliação subjetiva, Ensino de Língua Portuguesa e Teorias Linguísticas (VAELP-TL) e atua como vice-líder do Laboratório de Jogos de Linguagem (LaJoLi). É membro permanente do GT de Sociolinguística da ANPOLL e sócio da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN). Integra o Núcleo de Pesquisa em Sociolinguística de Araraquara (SoLAr). É especialista em Gestão e Edição de Periódicos Científicos, atuando como editor-chefe dos períodos: Falange Miúda - Revista de Estudos da Linguagem (Qualis B3) da Universidade de Pernambuco e Revista Diálogos (RevDia, Qualis A3) da Universidade Federal do Mato Grosso. Tem interesse por Sociolinguística, atuando principalmente nos seguintes temas: percepção e produção sociolinguística, significados sociais da variação, fonologia, variação e ensino de língua.

Ronald Beline Mendes , Universidade de São Paulo (USP)

É bacharel e licenciado em Francês e Português pela Universidade de São Paulo (1996). Obteve seu título de Mestre (1999) e Doutor (2005) pela Universidade Estadual de Campinas. Fez doutorado-sanduíche na New York University (EUA) e na York University (Canadá). Em 2015-2016, desenvolveu pesquisa em estágio de pós-doutorado na Ohio State University (EUA). Atualmente é Professor Associado da Universidade de São Paulo (obteve seu título de livre-docência em dezembro de 2018). É especialista em Sociolinguística, área em que desenvolve pesquisas sobretudo acerca da significação social da variação linguística. Seus projetos de pesquisa focalizam a significação social de múltiplas variantes linguísticas, com a análise de estilos na produção sociolinguística, e também com a análise de dados de percepção sociolinguística obtidos experimentalmente.

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Publicado

2026-04-30