Pajubá como laboratório sociolinguístico no século XXI

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31513/linguistica.2026.v22n1a72236

Resumo

Este artigo propõe compreender o Pajubá como um laboratório sociolinguístico privilegiado para a investigação da linguagem no século XXI. Em oposição às leituras que o reduzem à condição de gíria, código restrito ou repertório marginal, defende-se que o Pajubá constitui um sistema linguístico socialmente regulado, cuja organização permite observar, de forma integrada, processos de variação, performatividade, indexicalidade, legitimidade linguística e resistência discursiva. Fundamentado na Sociolinguística Variacionista, especialmente nas contribuições de William Labov e Anthony Julius Naro, em diálogo com a Linguística Queer e a Análise de Discurso Crítica, o estudo parte da hipótese de que o Pajubá amplia as possibilidades analíticas da Sociolinguística contemporânea ao evidenciar a indissociabilidade entre língua, corpo, identidade e poder. A pesquisa adota abordagem qualitativa, baseada em questionário eletrônico de caráter descritivo e entrevistas semiestruturadas realizadas com cinquenta participantes LGBTQIAPN+ distribuídos entre cinco metrópoles brasileiras. A interpretação do corpus articula pressupostos da Sociolinguística Variacionista, da Linguística Queer e da Análise de Discurso Crítica, privilegiando os sentidos atribuídos pelos participantes às suas práticas linguísticas. Os resultados demonstram que o Pajubá apresenta regularidades de uso, mecanismos de alternância sensíveis ao contexto interacional e elevado potencial de construção de pertencimento social, funcionando simultaneamente como repertório linguístico, prática performativa e tecnologia de resistência ao preconceito linguístico e à violência simbólica. Conclui-se que o Pajubá constitui um espaço privilegiado para compreender as transformações da linguagem contemporânea e reafirma a necessidade de ampliar os horizontes epistemológicos da Sociolinguística por meio de repertórios historicamente marginalizados.
Palavras-chave: Pajubá. Laboratório Sociolinguístico. Sociolinguística Variacionista.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Renato Régis Barroso, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM)

Professor Queer/PCD do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM). Mestre em Letras e Artes, na linha de Linguagem, Discursos e Práticas Sociais. Possui formação em Linguística; Estudos de Língua Portuguesa e Literatura e História da Arte; História da Cultura Afro-brasileira e indígena e Pedagogia e Organização do Mundo do Trabalho. Graduado em Letras - Língua e Literatura Portuguesa e Graduado em Artes Visuais. É pesquisador nas áreas de: Arte, Gênero e Sexualidade na Educação; Arte, Corpo e Performatividade; Linguística Aplicada Indisciplinar; Linguística Africana; Linguística Antropológica; Linguística Indígena; e, principalmente, Linguística Queer, com estudos articulados à Teoria Etno-Queer, investigando a linguagem como prática social atravessada por gênero, ancestralidade, território e poder. É estudioso do Pajubá há mais de uma década e autor da Gramática Descritiva do Pajubá pela Parábola Editorial. Possui experiência em pesquisas junto ao Núcleo de Estudos Queer e Decoloniais - NuQueer/UFRPE; Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas - Neabi/IFAM e do grupo de Fonética, Fonologia e Morfologia do português amazônico e das línguas indígenas/UEA. Atuante no Parfor UFAM/UEA há 15 anos e já trabalhou como professor substituto na UFAM, no Letras Mediado da UEA e no Centro de Estudos Superiores de Tefé (CEST/UEA). Faz parte do corpo editorial de Linguística da Revista Fios de Letras/UEA e é membro efetivo da ABRALIN (Associação Brasileira de Linguística).

Yonara Cristina de Souza dos Santos, Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

Possui graduação em Letras - Língua e Literatura Portuguesa pela Universidade Federal do Amazonas (2012). Mestre em Letras, área estudos da linguagem pela Universidade Federal do Amazonas (2015). Doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2025). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Línguas Indígenas e português como língua estrangeira.

Downloads

Publicado

2026-04-30