A expressão do sujeito pronominal em peças de teatro capixabas: uma análise em tempo real da 2ª pessoa do discurso

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31513/linguistica.2026.v22n1a72251

Resumo

Neste trabalho, propõe-se um recorte do estudo realizado em Rodran (2025), acerca da evolução, na variedade capixaba, da mudança rumo a maiores frequências de expressão do sujeito pronominal, já reportada por trabalhos como os de Paredes Silva (1988, 2003) e Duarte (1993, 1995). O estudo tem como base a Sociolinguística Variacionista (Labov, 2008 [1972]; Weinreich, Labov, Herzog, 2006 [1968]) e a Sociolinguística Histórica (Romaine, 2009 [1982]; Conde Silvestre, 2007). São apresentados somente os resultados da 2ª pessoa do discurso, a mais proeminente no processo de mudança. Nosso corpus é composto por 12 peças teatrais capixabas, divididas em quatro períodos/sincronias, e publicadas entre os anos de 1889 e 2004. As variáveis linguísticas observadas foram: pessoa do discurso (pronome), ambiguidade, ênfase, tipo sintático da oração e conexão discursiva. Na dimensão social, foram observadas as variáveis fase da vida, sexo/gênero, grau de instrução e classe social dos personagens, além do período/sincronia das peças. Ao todo, para todas as pessoas do discurso, foram coletados 4785 dados, sendo 1076 de 2ª pessoa. Os resultados indicam substituição de tu por você a partir da década de 1930 (período II), com salto tanto no número de dados quanto na expressão. O pronome tu apenas aparece nos períodos I (séc. XIX) e II, sempre com baixas frequências de expressão. A presença de ambiguidade contextual, além da morfológica, é grande impulsionadora da mudança, assim como os contextos enfáticos. Apesar da proeminência das variáveis linguísticas, as sociais também mostraram relevância, indicando as classes mais baixas e menos instruídas como locus inicial da mudança.
Palavras-chave: Sociolinguística. Sujeito pronominal. Mudança linguística. Peças teatrais. Variedade capixaba.

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Biografia do Autor

Iesa Venturin Mulinari de Rodran, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES/ES)

Graduada em Letras - Português (licenciatura), pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) em 2022; Mestre em Estudos Linguísticos pela UFES desde 2025, com pesquisa na área da Sociolinguística; Professora Concursada da Rede Estadual de Educação do Estado do Espírito Santo, na primeira cadeira desde 2023, e na segunda cadeira desde 2026.

Leila Maria Tesch, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES/ES)

Professora do Departamento de Línguas Vernáculas e do Programa de Pós-graduação em Linguística, na Universidade Federal do Espírito Santo. Possui graduação em Letras Português pela Universidade Federal do Espírito Santo (2004), mestrado em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2007) e doutorado em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2011). Realizou estágio de pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Linguística da Ufes (2013-2015), estágio pós-doutoral no Programa de Pós-Graduação em Linguística da Unicamp (2020) e realiza atualmente estágio pós-doutoral no Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFRJ. Atua como coordenadora de área do Pibid Letras Português da Ufes, de 2015 a 2020, de 2022 a 2024, e de 2024 a presente data. É uma das coordenadoras do PortVix - Grupo Capixaba de Estudos de Variação e Mudança Linguística, orientando diversas pesquisa de iniciação científica, mestrado e doutorado. Atua na área de Sociolinguística, em estudos de produção e de percepção linguística, e em questões de Ensino de Língua Portuguesa.

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Publicado

2026-04-30