Gênero social e mudança linguística: reflexões teórico-metodológicas para a Sociolinguística
DOI:
https://doi.org/10.31513/linguistica.2026.v22n1a71836Resumo
Neste artigo, reconhecemos que a correlação entre gênero social e variação linguística tem sido frequentemente orientada por interpretações essencialistas. Como alternativa, propomos tratar a variável gênero enquanto dimensão social e histórica, performativamente constituída e reiterada por práticas discursivas, por meio de uma releitura teórico-metodológica fundamentada nas teorias da performatividade (Butler, 2018a, 2018b) e da tecnologia de gênero (Lauretis, 1994). Para demonstrar a aplicabilidade dessa perspectiva, realizamos uma análise sociolinguística histórica da variação de marcas de segunda pessoa (2P/tu) e terceira pessoa (3P/você) na posição de sujeito no início do século XX (1915-1932) no português brasileiro. Utilizamos um córpus composto por 432 cartas publicadas na revista A Cigarra, voltada ao público feminino, contrapondo-o a um grupo controle, formado por outras 416 cartas distribuídas em duas diferentes amostras, definidas por um continuum de representações de gênero: Revista da Semana ([+feminina ↔ -masculina]) e o Correio Paulistano (publicação [+masculina ↔ -feminina]). Os resultados evidenciam que o contexto social e a proposta discursiva das publicações influenciam o uso das variantes em estudo. Nossa análise revela como a imprensa feminina, enquanto tecnologia de gênero, constitui espaço de performatividades, oferecendo novos olhares para a compreensão do significado social na mudança linguística.
Palavras-chave: Sociolinguística Variacionista. Sociolinguística Histórica. Estudos de Gênero. Gênero feminino. Imprensa feminina.
Downloads
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista Linguíʃtica

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Autores que publicam na Revista Linguí∫tica concordam com os seguintes termos:
Os autores mantêm os direitos e cedem à revista o direito à primeira publicação, simultaneamente submetido a uma licença Creative Commons que permite o compartilhamento por terceiros com a devida menção ao autor e à primeira publicação pela Revista Linguí∫tica.
Os autores podem entrar em acordos contratuais adicionais e separados para a distribuição não exclusiva da versão publicada da obra (por exemplo, postá-la em um repositório institucional ou publicá-la em um livro), com o reconhecimento de sua publicação inicial na Revista Linguí∫tica.

A Revista Linguí∫tica é uma revista do Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFRJ e se utiliza da Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional (CC-BY-NC)






