Relações em contexto: estudos sobre crises e afetos a partir da Psicologia histórico-cultural e da pedagogia dos detalhes

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Letícia Fonseca Reis Ferreira de Castro
Joana de Jesus de Andrade

Resumo

Este estudo investiga situações de inter-relação entre professoras e crianças na educação infantil, envolvendo crianças de um a dois anos no Brasil e de três anos na França. O foco recai sobre momentos de desconcerto, choro ou tensão nas interações. Como base teórica, utiliza-se a Psicologia Histórico-Cultural, especialmente o conceito de “crises das idades”, proposto por Lev Vigotski, em diálogo com as contribuições de Emmi Pikler e Henry Wallon acerca da infância e da afetividade nas relações. Parte-se do pressuposto de que a maneira como o professor interpreta e significa os processos afetivos vivenciados influencia diretamente sua relação com as crianças. Assim, uma formação docente que valorize a reflexão sobre vínculos e qualidade das interações pode favorecer o desenvolvimento infantil ao possibilitar a compreensão e ressignificação desses momentos de crise. A pesquisa busca compreender como esses episódios são percebidos por professores e crianças, identificando ações docentes que favorecem ou dificultam sua condução no ambiente escolar, além de analisar como se constroem significados sobre essas situações e como se estabelece a relação adulto-criança em momentos estáveis e críticos. O corpus de análise foi composto por observações durante duas semanas em duas turmas brasileiras com 16 crianças de um a dois anos, registradas em diário de campo e vídeo, além de quatro entrevistas com professoras. Também foram utilizados registros de uma visita a uma École Maternelle em Paris, com 24 crianças de três a cinco anos, incluindo diário de campo, fotografias e entrevista com professoras e a gestora. Os resultados indicam que situações de possível conflito também podem gerar oportunidades de negociação, novas representações e fortalecimento dos vínculos afetivos.

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