O trabalho com literatura na Educação Infantil: Linguagem, Imaginação e Elaboração Conceitual

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Branca Monteiro Camargo

Resumen

Este artigo, fruto de tese de doutorado defendida em 2021, examina a participação de uma criança cega de cinco anos em interações cotidianas com seus pares, sua professora e a pesquisadora durante atividade pedagógica baseada em apostilas e vinculada à literatura infantil, em escola privada de educação infantil no estado de São Paulo. Fundamentada na perspectiva histórico-cultural de Lev Vigotski, com destaque para a obra Imaginação e criação na infância (2009), e em aportes contemporâneos da literatura infantil, a pesquisa investiga o desenvolvimento das funções psíquicas superiores, como linguagem, imaginação, atenção, apreciação estética e elaboração conceitual – em crianças cegas. Metodologicamente, o estudo apoiou-se na observação participante, documentada por diários de campo e videogravações integralmente transcritas. O recorte analítico focaliza o trabalho pedagógico restrito, conduzido sob orientação apostilada e empregado como pretexto instrumental para o processo de alfabetização. Os resultados revelam a relevância incontestável da literatura infantil como eixo estruturante na idade pré-escolar, apontando simultaneamente os complexos desafios e as reais possibilidades na relação da criança cega com as narrativas literárias na ausência do sentido visual. Desse modo, a investigação evidencia que a mediação pedagógica intencional e sensível às especificidades sensoriais constitui condição indispensável para promover a apropriação criativa da cultura escrita, garantindo a plena inclusão e o desenvolvimento integral da criança no contexto escolar contemporâneo

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