Uma interpretação anacrônica do cyceon de Heráclito a partir de Spinoza e Nietzsche

Danilo Bilate

Resumo


Neste texto, proponho uma digressão confessadamente anacrônica, que ao invés de investigar pistas interpretativas em outros tão ou mais enigmáticos fragmentos heraclitianos, ou mesmo no estado da arte da literatura especializada, tenta identificar em Spinoza e Nietzsche elementos conceituais harmônicos à interpretação supracitada -- semelhante à de Pradeau e distante da de MacKenzie. Se essa estratégia, como bem sei, não serve de modo algum para o desvelamento da verdade do fragmento 125 -- e não cremos, aliás, em nenhuma “verdade” hermenêutica -- e tampouco para resolver o embate entre as diferentes formas de interpretação como por exemplo as conflitantes de Pradeau e MacKenzie, tal estratégia serve ao menos para construir, hipotética e abstratamente, uma verdadeira linhagem filosófica, contratradicional, marginal até, que fundamenta ontologicamente o ser no devir por uma teoria dos corpos físicos que os concebe como necessariamente complexos e dependentes de uma tensão unificadora de suas partes.

Palavras-chave


Heráclito; cyceon; DK125; Pré-Socráticos

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Referências


HERACLITO. Fragments. Trad. de Jean-François Pradeau. Paris: Flammarion, 2004.

MacKENZIE, Mary Margaret. “The Moving Posset Stands Still: Heraclitus Fr. 125.” The American Journal of Philology, vol. 107, no. 4, 1986, pp. 542--551. www.jstor.org/stable/295102.

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NIETZSCHE, Friedrich. Å’uvres philosophiques complètes. Paris: Gallimard, 1968-1997, 18 volumes.

SPINOZA, Benedictus de. Ethica. Edição bilíngue. Trad. Tomaz Tadeu. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.


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