RESPIRAR E RESISTIR: ENTREVISTA COM GRAÇA GRAÚNA

Autores

  • Marta Passos Pinheiro Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais https://orcid.org/0000-0001-9245-0823
  • Guilherme Trielli Ribeiro Universidade Federal de Minas Gerais
  • Viviane de Cássia Maia Trindade PUC-Minas

DOI:

https://doi.org/10.35520/diadorim.2022.v24n1a50394

Palavras-chave:

Graça Graúna, literatura indígena, literatura de resistência, escreviver.

Resumo

Graça Graúna é indígena do povo Potiguara do Rio Grande do Norte, escritora, crítica literária e professora da Universidade de Pernambuco (UPE), na área de Literatura e no Curso de Licenciatura em Ciências Sociais. Possui doutorado em Teoria Literária (UFPE) e pós-doutorado em Educação, Literatura e Direitos Indígenas (UMESP). É autora de livros de literatura e teoria: Contrapontos da literatura indígena contemporânea no Brasil, referência nos estudos sobre literatura indígena; Canto mestizo; Tessituras da terra; Tear da palavra; Flor da mata; Criaturas de Ñanderu; e Fios do tempo (quase haikais). Nesta entrevista, Graça Graúna responde a questões sobre a concepção e publicação da literatura indígena, suas especificidades no Brasil, a atuação da mulher escritora indígena, direitos humanos, a prática do “escreviver”, a presença indígena na literatura modernista e sua mais recente publicação: Fios do tempo (quase haikais), livro lançado no final de 2021. Reconhecendo como literatura indígena um conjunto abrangente de produções orais e escritas, a poeta chama a atenção para seu caráter coletivo, ancestral, de resistência e resiliência. Ela destaca a importância da mulher indígena nos campos da educação, da política e das artes. Em sua produção, reconhece a forte presença de questões sociais, principalmente as relacionadas a direitos humanos e ao meio ambiente, além da responsabilidade de escrever sobre o universo indígena, ainda desconhecido por muitos. Adepta da prática do escreviver, Graça Graúna ressalta que a escrita é concebida por ela de forma ampla, estando presente não só nos textos impressos, mas também nas diversas artes dos povos originários.

 

Graça Graúna is from the Potiguara people of Rio Grande do Norte. She is a writer, literary critic and professor at the University of Pernambuco (UPE). She holds a PhD in Literary Theory (UFPE) and completed postdoctoral research in Education, Literature and Indigenous Rights (UMESP). She is the author of books on literature and theory, including: Contrapontos da literatura indígena contemporânea no Brasil, reference in studies on indigenous literature; Canto mestizo; Tessituras da terra; Tear da palavra; Flor da mata; Criaturas de Ñanderu; and Fios do tempo (quase haikais). In this interview, Graúna answers questions about the conception and publication of Indigenous literature and its particularities in Brazil, Indigenous woman writers, human rights, the practice of escreviver (life-writing), the Indigenous presence in Brazilian modernist literature, and her most recent publication: Fios do tempo (quase haikais). By conceiving Indigenous literature as a comprehensive set of oral and written works, the poet draws attention to its collective, ancestral character of resistance and resilience. She highlights the importance of Indigenous women in the fields of education, politics, and the arts. In her work, she recognizes the strong presence of social issues, especially those related to human rights and the environment, in addition to the responsibility of writing about the Indigenous culture, still unknown to many. A practitioner of life-writing, Graça Graúna approaches writing with a broad angle, including in her definition not only the printed texts, but also other arts of native peoples.

Biografia do Autor

Marta Passos Pinheiro, Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais

Possui graduação em Letras - Português e Literatura pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1996), mestrado em Literatura Brasileira pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2000), estágio de doutorado em Educação pela Universidade do Minho, Braga, Portugal (2004), doutorado e pós-doutorado em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (2006). É professora do Departamento de Linguagem e Tecnologia do Centro Federal de Educação Tecnológica de Belo Horizonte (Cefet-MG), atuando como professora, no Ensino Médio, na Graduação em Letras, no Mestrado e no Doutorado em Estudos de Linguagens. È coordenadora do grupo de pesquisa LLEME (Leitura Literária, Edição e Ensino) e integrante do grupo de pesquisa Materiais e Recursos Didáticos, do CEFET-MG, e do GPELL (Grupo de Pesquisa do Letramento Literário), da Faculdade de Educação da UFMG. Tem experiência nas áreas de Letras e Educação, com ênfase em Literatura Brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: formação de leitor de literatura, design de livros para crianças e jovens, crônica, livro didático, letramento literário, literatura indígena, literatura infantil e juvenil.

Guilherme Trielli Ribeiro, Universidade Federal de Minas Gerais

Graduação em Letras, Universidade Federal de Minas Gerais (1996). Doutorado em Estudos Literários, Brown University (2011). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Letras e Artes Comparadas. É professor do Departamento de Métodos e Técnicas de Ensino da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais.

Viviane de Cássia Maia Trindade, PUC-Minas

É doutoranda em Literaturas de Língua Portuguesa, com abordagem da literatura indígena. Possui Mestrado em Literaturas de Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (2012) e graduação em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (1999). Atualmente, é professora no Instituto de Educação Continuada (IEC/PUC Minas) e pesquisadora do Grupo de Pesquisa do Letramento Literário - Gpell/Ceale/UFMG. É participante de comissões de seleção de obras para as bibliotecas públicas e escolas públicas. Possui experiência na área de Letras, com ênfase em formação de leitor, atuando principalmente nos seguintes temas: alfabetização e letramento; gêneros textuais; literatura indígena; leitura e produção de texto; a estrutura linguística do texto literário e seu efeito estético. Colabora em assessorias para elaboração de matrizes de avaliação em larga escala, produção de itens de avaliação, em Alfabetização e Língua Portuguesa. Também possui experiência em formação de agentes culturais para mediação cultural em museus e centros culturais.

Referências

ANDRADE, Oswald de. Pau-Brasil. Paris: Au Sans Pareil, 1925.

ANDRADE, Oswald de. Poesias reunidas. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974.

ANDRADE, Mário de. Macunaíma: o herói sem nenhum caráter. São Paulo: Oficinas Gráficas de Eugenio Cupolo, 1928.

BOPP, Raul. Cobra Norato. São Paulo: Estabelecimento gráfico Irmãos Ferraz, 1931.

GRAÚNA, Graça. Canto mestizo. Rio de Janeiro: Ed. Blocos, 1999.

GRAÚNA, Graça. Tessituras da terra. Belo Horizonte: Edições Mulheres Emergentes, 2000.

GRAÚNA, Graça. Tear da palavra. Belo Horizonte: Edições Mulheres Emergentes, 2001.

GRAÚNA, Graça. Criaturas de Ñanderu. São Paulo: Manole, 2010.

GRAÚNA, Graça. Contrapontos da literatura indígena contemporânea no Brasil. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2013.

GRAÚNA, Graça. O coelho e a raposa. (Tradução de mitos indígenas do México). São Paulo: FTD, 2014.

GRAÚNA, Graça. O sapo e o deus da chuva. (Tradução de mitos indígenas do México). São Paulo: FTD, 2014.

GRAÚNA, Graça. Baak, o pequeno deus. (Tradução de mitos indígenas do México). São Paulo: FTD, 2014.

GRAÚNA, Graça. Flor da mata. Belo Horizonte: Peninha Edições, 2014.

GRAÚNA, Graça. Fios do tempo (quase haikais). Recife, PE: Ed. da Autora; Baleia Cartonera, 2021.

RICARDO, Cassiano. Martim Cererê. São Paulo: Editora Hélios, 1927.

Downloads

Arquivos adicionais

Publicado

2023-04-14