Estratificação horizontal nas licenciaturas das instituições federais brasileiras

Gabriela Honorato, Carolina Zuccarelli, André Vieira

Resumo


A ampliação das matrículas em cursos da área de Educação foi um dos principais vetores da expansão
recente do ensino superior brasileiro. O objetivo do artigo é analisar até que ponto essa expansão
significa, de fato, democratização de oportunidades de formação em distintas carreiras docentes. Os
resultados obtidos, a partir de exercícios realizados com os microdados do Exame Nacional de Desempenho
de Estudantes 2014, revelam que as subáreas de Educação estão distintamente caracterizadas
de acordo com a origem socioeconômica e marcas sociais dos/das estudantes. As evidências são discutidas
a partir de bibliografia que trata da “democratização segregativa” do ensino superior e de sua
“estratificação horizontal”.


Palavras-chave


Ensino superior; Estratificação educacional; Formação de professores

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DOI: https://doi.org/10.20500/rce.v14i29.21995

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