Teatro e política na filosofia de Gilles Deleuze: subtração, crueldade, esgotamento

Mariana de Toledo Barbosa, Ovídio Abreu, Paulo Domenech Oneto

Resumo


A relação de Gilles Deleuze com as artes é inseparável de seu projeto filosófico mais amplo, marcado pela crítica à representação e pela liberação da dimensão das forças como aquela em que o pensamento é criado. O modelo da representação reúne uma série de pressupostos implícitos da filosofia ocidental e consolida uma moral interna ao pensamento, que oblitera a dimensão genética das forças. A política do pensamento deleuziana rompe com este modelo, em benefício do pensamento compreendido como criação. Filósofos e artistas pensam, criam, e isto permite ao filósofo se aproximar de procedimentos artísticos que se afinam com os seus. Deleuze se encontra com o teatro justamente na crítica à representação e na dramatização compreendida como experimentação de forças puras. Não à toa destacam-se em seus escritos Antonin Artaud, Carmelo Bene e Samuel Beckett. A relação entre teatro e política está presente nos procedimentos dos três: subtração em Bene, crueldade em Artaud e esgotamento em Beckett – estratégias necessárias para que o teatro se libere da representação, de sua moral interna para atingir a dimensão das forças na qual a criação pode emergir. 

Palavras-chave


Teatro, política, Gilles Deleuze

Texto completo:

PDF

Referências


ARTAUD, A. (1927) « À la grande nuit ou le Bluff surréaliste » . In: L’Ombilic des limbes suivi de Le Pèse-nerfs et autres textes. Paris : Gallimard, 1968.

__________. (1933) « Le théâtre et la cruauté » . In: Le Théâtre et son double. Paris : Gallimard, 1964.

BENE, C. (1979) “Richard III ou l’horrible nuit d’un homme de guerre”. In: Superpositions. Paris : Minuit, 2004.

BECKETT, S. (1992) « Quad » et autres pièces pour la télévision. Paris : Minuit, 1999.

DELEUZE, Gilles. (1962) Nietzsche et la philosophie. Paris : P.U.F., 2005.

__________. (1968) Différence et répétition. Paris : P.U.F., 2005.

__________. (1969) Logique du sens. Paris : Minuit, 2005.

__________. (1979) « Un manifeste de moins », in Superpositions (en collaboration avec Carmelo Bene). Paris : Minuit, 2004.

__________. (1985) Cinéma 2. L’Image-temps. Paris : Minuit, 2006.

__________. (1992) « L’Épuisé », in BECKETT, Samuel, « Quad » et autres pièces pour la télévision. Paris : Minuit, 1999.

__________. (1993) Critique et clinique. Paris : Minuit, 2006.

DELEUZE, G. & GUATTARI, F. (1991) Qu’est-ce que la philosophie ? Paris : Minuit, 2005.

DOMENECH ONETO, Paulo. “Breaking down, breaking out: Beckett’s absolute liminality in the third age of capitalist traumas”. In: Crise, Revista de História da Arte. Lisboa: Instituto de História da Arte (FCSH/NOVA) nº12, 2015, pp. 48-59.

ZOURABICHVILI, François. “Deleuze e o possível (do involuntarismo em política)”. In: Deleuze: uma vida filosófica. São Paulo: Ed. 34, 2000, pp. 333-355.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2021 Mariana de Toledo Barbosa, Ovídio Abreu, Paulo Domenech Oneto