Tradução e invenção: Gonzaga Duque e a crítica de arte simbolista

André Soares Vieira

Resumo


Este trabalho tem por objetivo refletir sobre algumas especificidades de um tipo de texto situado entre o ensaístico e o comentário: a crítica de arte praticada por um crítico-escritor do simbolismo brasileiro, Gonzaga Duque (1863 – 1911). Na esteira teórica de autores como Dario Gamboni (1991), Françoise Lucbert (2005) e Liliane Louvel (2006), dentre outros, trata-se de perceber os modos como o crítico de arte simbolista opera uma tradução intersemiótica, passando do icônico ao verbal, ao descrever os quadros a que se refere. Se a pintura detém o poder de transformar a linguagem da crítica de arte por meio de uma “tradução” dos efeitos picturais das obras comentadas, tal tradução residiria na adaptação da materialidade do quadro para a realidade do texto, através das evocações poéticas que prolongariam a experiência estética. É o que faz Gonzaga Duque em relação às obras de pintores como Félicien Rops, Puvis de Chavannes e Helios Seelinger, por meio de uma crítica de arte simbolista que  transforma a substância pictórica em texto poético de forma criativa.

Palavras-chave


Crítica de arte; Tradução intersemiótica; Gonzaga Duque; Literatura e pintura; Simbolismo.

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DOI: https://doi.org/10.35520/diadorim.2020.v22n1a31368

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