O “Narciso”, de Luís de Montalvor, e a paisagem em delírio

Fernando de Moraes Gebra

Resumo


O presente artigo desconstrói uma imagem cristalizada na historiografia literária luso-brasileira de que a revista Orpheu é o órgão do Modernismo Português. A leitura atenta de todos os poemas e fragmentos de prosa estampados nessa revista literária permite concluir que, tal como afirma Fernando Pessoa em carta a Camilo Pessanha, Orpheu apresenta “poemas e prosas que vão do ultra-simbolismo até ao futurismo”. Toda a apresentação centra-se no poeta e diretor do primeiro número de Orpheu, Luís de Montalvor (1891-1947). Abordo, rapidamente, algumas metáforas de leitura feitas sobre a obra de Montalvor, para, em seguida, concentrar-me no estudo analítico do poema “Narciso” (publicado no segundo número de Orpheu), destacando as metamorfoses do mito clássico de Narciso, a paisagem em delírio, os espectros do duplo, a linguagem multifacetada e os efeitos de sentido gerados pelas escolhas lexicais. Durante o processo analítico do poema, discuto os procedimentos estéticos do autor, imbricados na tradição do Decadentismo-Simbolismo, relacionando-os com os textos doutrinários (“Introdução” de Orpheu 1 e “Tentativa de um ensaio sobre a Decadência”, da revista Centauro).


Palavras-chave


Luís de Montalvor; Orpheu; Mito; Narciso; Decadentismo-Simbolismo.

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DOI: https://doi.org/10.35520/diadorim.2020.v22n1a31737

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