Como nos movemos nos dois lados da fronteira – Reflexão sobre variação lexical entre o português e o galego

Ana Rita Carrilho, Ignacio Vázquez Diéguez

Resumo


A reflexão sobre o conceito de movimento remonta à filosofia grega pré-socrática, associada a outros conceitos como os de tempo, de mudança e metamorfose. É histórica a contenda entre Parménides (imobilidade) e Heráclito de Éfeso, para quem na natureza, na vida e na sociedade tudo é dinâmico. Mais tarde, Aristóteles sintetizou estas duas posições e o conceito de movimento, frequentemente associado a mudança e devir, torna-se num dos principais desafios colocados ao pensamento aristotélico. O filósofo traça uma teoria do movimento, dividindo-o em deslocamento no espaço (traslação), substância (geração), mudança quantitativa (aumento e diminuição) e mudança qualitativa (alteração). Neste sentido, estão lançadas as bases para a máxima tomista: Tudo o que se move é movido por alguma coisa.

Do ponto de vista lexical, uma recolha (e respetiva análise) dos verbos que carregam o sema de movimento permitirá traçar um percurso da forma como o sujeito se relaciona desde sempre com tudo o que o rodeia, sendo ainda mais pertinente verificar a existência de pontos de contacto e de afastamento entre línguas como o galego e o português que partilham não só uma fronteira, como também uma história.


Palavras-chave


Verbos de movimento. Português. Galego. Variação lexical.

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DOI: https://doi.org/10.24206/lh.v5iEspecial2.27016

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