POR UMA FORMAÇÃO DECOLONIAL NO CAMPO DA TRADUÇÃO E INTERPRETAÇÃO LIBRAS/LÍNGUA PORTUGUESA

Janaina Cabello

Resumo


O texto apresenta as discussões do Grupo de Estudos Surdez e Diferenças em pauta (GEDISp) vinculado ao curso de bacharelado em Tradução e Interpretação Libras/Língua Portuguesa da Universidade Federal de São Carlos, sobre a formação universitária de tradutoras/es e intérpretes de Libras/Língua Portuguesa numa perspectiva decolonial. A partir do ingresso de alunas/os negras/os, indígenas, homossexuais e transexuais na universidade, o espaço de formação começa a tomar novos contornos, provocando o desmantelamento de um conjunto de saberes eurocêntricos e heteronormativos relacionados ao corpo/espaço da/o intérprete de Libras. A partir do pensamento decolonial, discute-se a formação de intérpretes de Libras/Língua Portuguesa considerando a interseccionalidade e a interculturalidade e a produção de materiais em Libras com o objetivo de aproximar tais discussões (também) das pessoas surdas.

  

Palavras-chave


surdez, tradutores e intérpretes de Libras/Língua Potuguesa, decolonialidade

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DOI: https://doi.org/10.20500/rce.v15i34.36219

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