A carta de Françisca Maria Xavier de Castro: edição e reflexões sobre o imaginário social de mulheres na América Portuguesa

Elisa Hardt Leitão Motta, Vanessa Martins do Monte

Resumo


A edição e as reflexões aqui apresentadas surgem como um dos resultados do processo de prospecção de documentos no Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP) no contexto do Projeto M.A.P. - Mulheres na América Portuguesa. As visitas de prospecção tiveram por propósito a contribuição para a ampliação do mapeamento de documentos escritos por mulheres ou nos quais mulheres figurem em posição central durante a América Portuguesa (1500-1822). A partir da prospecção das pastas do fundo da Secretaria de Governo da Capitania de São Paulo, localizado no APESP, e da subsequente leitura e seleção de quatro documentos pertinentes dentro da pasta identificada como 1.1.697, foram realizados o registro e a catalogação desses documentos, bem como a edição semidiplomática e as análises diplomáticas, paleográficas e codicológicas. Para este artigo, elegeu-se a carta identificada com o número 23, escrito a lápis no recto do primeiro fólio, de autoria de Françisca Maria Xavier de Castro. Durante o processo de edição, foi possível levantar hipóteses sobre o contexto histórico e social da autora. Alfabetizada, dona de pessoas escravizadas e responsável pelas próprias finanças, Françisca Maria Xavier de Castro pode ser vista como um desvio da imagem criada com base em estereótipos reproduzidos pela historiografia e que caracteriza a mulher branca como sempre submissa e ausente, tanto das relações sociais em comunidade como das decisões econômicas dentro do próprio lar. São apresentadas as edições fac-similar, semidiplomática e modernizada do documento. Além disso, propõe-se um conjunto de normas para a edição modernizada.


Palavras-chave


História das mulheres. América Portuguesa. Filologia. Paleografia. Edição

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DOI: https://doi.org/10.24206/lh.v5i2.29110

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